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Aparelho para Apneia

Saiba Mais sobre os Tipos de Aparelho para Apneia

Felizmente, há diversos tipos de aparelho para apneia que possibilitam uma melhora considerável da situação dos pacientes. Estes aparelhos são muito úteis para que as pessoas possam conseguir ganhar de volta a qualidade de vida e do sono. Veja neste artigo quais são estes diferentes tipos de aparelhos e quando eles são indicados.

Os Tipos de Aparelho para Apneia

Muitas pessoas sofrem com a ocorrência dos sintomas da apneia, fazendo com que sua qualidade de vida possa ser significativamente afetada pelos malefícios de noites mal dormidas, um mal funcionamento do sistema respiratório e até mesmo prejuízos em suas vidas cotidianas e relacionamentos.

Apesar de muitas pessoas ignorarem a ocorrência da apneia durante toda a vida, é extremamente recomendado que a amenização dos sintomas que fazem com que a mesma ocorra e o tratamento adequado para que ela possa cessar sejam realizados por um profissional.

O Que é a Apneia?

A apneia é caracterizada pela falta de respiração durante o período do sono, o que faz com que os processos de oxigenação do organismo sejam realizados precariamente, por meio de várias interrupções que fazem com que o indivíduo, apesar de não perceber, sofra com um sono perturbado e não saudável.

Apesar de extremamente comum, a apneia é um problema que precisa ser tratado com seriedade, dado que pode indicar diversos tipos de problemas de saúde que podem estar sendo negligenciados pelos pacientes, justamente pelo fato de ser um sintoma extremamente recorrente na sociedade.

Quais os Sintomas da Apneia?

Os sintomas da apneia podem ser notados pelo aparecimento de sonolência durante o período do dia, resultante de um sono conturbado e que não possibilita ao organismo o descanso e a regeneração que o mesmo requer, além do famoso barulho de ronco exacerbado que os indivíduos emitem.

Há também um alto índice de pacientes que apresentam uma irritabilidade excessiva durante o dia, bem como o aumento da dificuldade de concentrar-se, até sintomas mais agudos como a impotência sexual, a depressão e a hipertensão.

A apneia é mais comum entre os homens, afetando menos de 10% da população masculina, e entre as mulheres, os níveis não alcançam os 5%, entretanto, a ocorrência desta enfermidade se dá predominantemente em indivíduos obesos e que estão com idade acima dos 35 anos, bem como os portadores de hipertensão arterial.

Quais São as Causas da Apneia?

A apneia é causada por um entupimento parcial das vias respiratórias, que causam a obstrução dos processos de respiração durante o sono, principalmente na região da faringe, e que fazem com que haja uma brusca diminuição da saturação dos níveis de oxigênio no sangue.

Conheça o Aparelho para Apneia CPAP

Um dos métodos para tratamento de apneia se encontra no aparelho para apneia chamado CPAP, ou Continuous Positive Airway Pressure, o que significa uma Pressão Positiva Contínua das Vias Aéreas. Este aparelho consiste em uma máquina que funciona de maneira similar a um pequeno compressor de ar.

Por meio da utilização do CPAP, o paciente recebe durante toda a noite de sono, de maneira estabilizada, um melhor fluxo de ar diretamente nas vias aéreas: este fluxo é entregue aos usuários por meio da utilização de uma máscara facial semelhante à dos inaladores.

O CPAP fornece diferentes níveis de pressão para os diversos tipos de pacientes e suas condições, que podem afetar o grau da ocorrência da apneia. Por isso, a partir da pressão contínua do ar durante a noite, fica impossibilitado o bloqueio das vias respiratórias, impedindo que o usuário sofra apneia.

O CPAP, portanto, deve ser ajustado especificamente de acordo com as necessidades dos pacientes, sendo um dos aparelhos para apneia mais utilizados no mercado por profissionais da saúde que lidam com esta condição em seus pacientes.

Veja Alguns Outros Tipos de Aparelho para Apneia

Além do CPAP, existem aparelhos intraorais que possibilitam às pessoas que sofrem de apneia conseguirem uma melhor qualidade de vida por meio da melhoria do sono, evitando os sintomas que vem com a má oxigenação do cérebro devido à apneia.

Os aparelhos intraorais para melhora da apneia devem ser utilizados também durante a noite, sendo moldados para se encaixarem perfeitamente à boca do paciente, o que os torna um mecanismo significativamente mais confortável para as pessoas que optam por utiliza-los.

Por meio dos aparelhos intraorais, a mandíbula dos pacientes é posicionada de uma maneira que faz com que as vias respiratórias possam ficar completamente desobstruídas durante todo o período do sono, fazendo com que o ar possa circular de maneira tranquila, evitando a apneia, podendo também ser utilizados quando os métodos tradicionais não são aceitos.

A Odontologia do Sono para Melhoria da Apneia

Uma área relativamente nova na Medicina, a Odontologia do Sono permite aos pacientes tratarem da apneia de maneira completamente especializada e personalizada de acordo com suas necessidades e características específicas.

Por meio desta área, os pacientes podem realizar a customização dos aparelhos intraorais de sua escolha, bem como de acordo com a recomendação do dentista do sono, para que o conforto e a adaptação aos métodos possa ser otimizado, possibilitando uma melhoria enorme em sua qualidade de vida.

Aqui no Núcleo de Otorrinolaringologia e Medicina do Sono, contamos com profissionais especialistas em Odontologia do Sono, que podem indicar e adaptar os aparelhos intraorais para o seu tratamento. Marque uma consulta conosco e conheça o nosso trabalho.

Artigo Publicado em: 29 de setembro de 2017  e Revisado em 26 de junho de 2019

Medicina do Sono

Otorrinolaringologia e a Medicina do Sono

A Academia Americana de Otorrinolaringologia reconhece o importante papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono, o que também gostaríamos de trazer à realidade brasileira.

Apesar do sono ocupar um terço das nossas vidas, somente na segunda metade do século XX a Medicina despertou para este complexo fenômeno. As pesquisas sobre o sono nasceram em Chicago com Kleitman, ganhando corpo com a descoberta do sono REM pelo mesmo e seu aluno Asersinsky em 1953.

Continue esta leitura e compreenda melhor o papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono.

O Desenvolvimento da Medicina do Sono

A partir das pesquisas sobre o sono na segunda metade do século XX, uma explosão de pesquisas fundamentais foram acontecendo nos campos da eletrofisiologia, farmacologia, bioquímica, com o reconhecimento dos mistérios do sono e seus distúrbios.

Este rápido processo de desenvolvimento fica bem demonstrado com o crescimento das clínicas e laboratórios do sono que, a partir da Clínica de Distúrbios do Sono da Universidade de Stanford criada por Dement e seu discípulo Guilleminault em 1970, chegaram a 100 nos anos 80, atingindo hoje quase 3.000 nos USA.

A Medicina do Sono tornou-se uma especialidade multidisciplinar envolvendo neurologistas, pneumologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas, bucomaxilos, cardiologistas, endocrinologistas, cirurgiões bariátricos, dentistas, fisioterapeutas e nutricionistas.

Paralelamente, houve um especial interesse da indústria médica no desenvolvimento de aparelhos para diagnóstico (equipamentos de polissonografia) e tratamento (CPAP, equipamentos cirúrgicos).

No Brasil, este progresso chegou mais tarde, porém, expandiu-se rapidamente nos anos 90 e transformou-se numa das áreas mais atraentes de estudo e trabalho para o ORL.

A Evolução da Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente como o último da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Depois de um grande entusiasmo inicial, resultados irrealísticos e controversos mostraram-se desanimadores em longo prazo, a grande maioria por indicações imprecisas e inconsistentes envolvendo somente uma área da obstrução, deixando outras áreas colapsáveis sem tratamento.

Isto levou ao descrédito o tratamento cirúrgico para a apneia do sono, estimulando os tratamentos não cirúrgicos, tentando-se de várias formas demonstrar a pouca efetividade das cirurgias.

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados.

Novas Perspectivas para a Medicina do Sono

No tratamento do câncer de cabeça e pescoço, temos o sistema TNM, um sistema de classificação para os médicos estadiarem diferentes tipos de câncer, com base em determinadas normas, sendo o guia fundamental na seleção do tratamento apropriado.

Contudo, nos distúrbios respiratórios sono-dependentes ainda não tínhamos um sistema de estadiamento universalmente aceito, o que agora vamos gradualmente conseguindo como o demonstra o estadiamento proposto por Friedman baseado na posição da língua, no tamanho das tonsilas palatinas e no índice de massa corporal.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Artigo Publicado em: 17 de julho de 2017 e atualizado em: 22 de maio de 2019

Apneia do Sono e Diabetes

Apneia do Sono e Diabetes – Uma íntima relação

Se você tem diabetes tipo 2, há uma grande chance de ter apneia obstrutiva do sono. A relação entre apneia do sono e diabetes acontece pois a apneia obstrutiva do sono (AOS) altera o metabolismo da glicose e promove a resistência à insulina em ao menos 50% dos casos. Pesquisas estimam que este número chega a 60 a 80%. Neste artigo, vamos demonstrar a interação entre resistência à insulina e apneia do sono, além dos possíveis mecanismos que contribuem para esta comorbidade.

Apneia do Sono e Diabetes

A apneia obstrutiva manifesta-se com a interrupção da respiração durante o sono, por segundos ou até minutos, durante várias vezes à noite. A falta de oxigenação nestas paradas pode causar importantes problemas de saúde, com graves riscos, como ataques cardíacos, pressão alta, arritmias, derrames, diabetes e mesmo demências.

A obesidade é um moderador chave do efeito da AOS no diabetes tipo 2. No entanto, a exposição crônica à hipóxia intermitente e outros efeitos fisiopatológicos da AOS afetam diretamente o metabolismo da glicose, e o tratamento da AOS pode melhorar a homeostase da glicose.

Apneia do Sono e Doenças Cardiovasculares

Diversos estudos já mostraram que pacientes com Apneia Obstrutiva do Sono apresentam maior risco para doenças cardiovasculares. Contudo, ainda permanece inconclusivo se essa associação depende da obesidade ou se ocorre devido a alterações fisiológicas que a própria apneia do sono provoca, como ativação do sistema nervoso simpático, da inflamação e outras desordens que predispõem a danos vasculares.

Os mecanismos subjacentes à disfunção vascular na AOS incluem ativação simpática e estresse oxidativo (por hipóxia intermitente, hipercapnia e despertares). Essas perturbações resultam na redução da produção de vasodilatadores dependentes do endotélio, como o óxido nítrico. Além disso, a AOS está associada a um estado pró-inflamatório e hipercoagulável – outra via que causa lesão vascular. Esses mecanismos explicam a observação de que a gravidade da AOS, conforme indicado pelo IAH, está significativamente associada ao risco de AVC (razão de chances 2,5) em pacientes com diabetes tipo 2. Deve-se notar que este estudo incluiu populações mais velhas e obesas com alta prevalência de AOS (86%). Os efeitos independentes da AOS na DCV devem ser examinados em populações magras e jovens com diabetes tipo 2.

Muitos fatores de risco para doenças cardiovasculares estão fortemente associados ao distúrbio respiratório, entre eles hipertensão, obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.

Homens em torno de 40 anos, com sobrepeso ou obesidade apresentam um maior risco de apneia. Isto é preocupante pois a má qualidade do sono que esta doença causa prejudica a qualidade de vida e aumenta os risco de acidente automobilísticos e de trabalho.

A probabilidade destes pacientes terem diabetes tipo 2 também decorre do déficit de sono, estresse, excesso de peso, com dificuldades metabólicas, que levam a dificuldades de manter os níveis de açúcar sob controle.

Além do ronco e sonolência excessiva diurna, o aumento da diurese noturna, dores de cabeça pela manhã, engasgos e sudorese excessiva durante a noite também fazem parte do quadro.

Influência da Apneia do Sono na Síndrome Metabólica

Os mecanismos de resistência à insulina e disfunção das células β pancreáticas explicam as observações epidemiológicas de que a prevalência de pré-diabetes e diabetes tipo 2 está aumentada na AOS. Curiosamente, há evidências que sugerem que a diabetes tipo 2 aumenta independentemente a probabilidade de distúrbios respiratórios do sono, possivelmente devido aos efeitos no sistema nervoso central e autônomo. A prevalência de AOS em pessoas com diabetes tipo 2 é variável, e as estimativas variam de 18% na atenção primária a 58% em uma coorte mais velha e tão alto quanto 86% em populações obesas com diabetes tipo 2.

Tratamento da Apneia do Sono no Controle da Diabetes

Estudos recentes sugerem que o tratamento da AOS com terapia de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) reduz a resistência à insulina e melhora o controle glicêmico em pacientes com pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

Se você suspeita de ter apneia do sono, consulte um especialista, que vai realizar um estudo do seu sono. Estes estudos podem ser feitos em laboratórios ou mesmo em sua casa, com maior comodidade.

O diagnóstico precoce da apneia é fundamental para a profilaxia das inúmeras comorbidades que essa doença leva.

São vários tratamentos disponíveis atualmente, sejam cirúrgicos ou não cirúrgicos. Pacientes diabéticos com apneia, quando tratados, apresentam excelente melhora no controle do açúcar no sangue, com diminuição da necessidade de tratamento medicamentoso.

Artigo Publicado em: 14 de setembro de 2017 e Atualizado em: 02 de maio de 2019

Tratamento da Apneia do Sono

Atuação do Otorrinolaringologista no Tratamento da Apneia do Sono

 

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados. Com a leitura deste artigo, saiba mais sobre a atuação do médico otorrino no tratamento da apneia do sono.

A Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente, como o ultimo da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Apesar da grande evolução no diagnóstico e tratamento da SAHOS, ainda ouvimos afirmações, inclusive de otorrinolaringologistas, de que a apneia não tem cura. Isto se deve também a uma visão limitada do profissional não habilitado a intervenções sobre a base da língua e o esqueleto facial.

Por outro lado, não devemos nos colocar somente como cirurgiões. Ao ORL compete, além dos tratamentos cirúrgicos, saber orientar antes de mais nada sobre as opções não cirúrgicas aos seus pacientes, sejam terapias comportamentais, de adaptação de CPAPs ou aparelhos intra-orais.

A Medicina do Sono é hoje uma realidade dentro da Otorrinolaringologia e deve fazer parte de nosso trabalho clínico e cirúrgico. Nossos programas de residência médica e de educação médica continuada devem reforçar seus interesses e tópicos sobre Medicina do Sono.

Tratamento da Apneia do Sono – Otimizando a Atuação da Otorrinolaringologia

Seguindo as próprias premissas da Academia Americana de Otorrinolaringologia, a ABORL-CCF está incrementando esforços no sentido de mostrar a importância do Otorrinolaringologista no tratamento do mais importante distúrbio do sono, a apneia obstrutiva, enfatizando:

1 – um melhor currículo sobre Medicina do Sono em nossos programas de residência, com um maior número de tópicos sobre o tema em nossos cursos de educação continuada e congressos;

2 – divulgação das evidências dos benefícios dos tratamentos otorrinolaringológicos para a apneia obstrutiva do sono;

3 – definição da apneia obstrutiva do sono como um distúrbio da via aérea superior (VAS), área de domínio da ORL, sendo o Otorrinolaringologista o único especialista habilitado a examinar a VAS e treinado para realizar mudanças anatômicas nesta região;

4 – promoção perante a mídia, com informações sobre o importante papel do ORL no tratamento da apneia obstrutiva do sono, pois vemos divulgações frequentes nas áreas de comunicação de especialistas do sono nas quais os ORL são indevidamente excluídos.

Diante de uma realidade em que se procurava distanciar o ORL desta área de distúrbios respiratórios sono-dependentes, acreditamos que, com estas ações, podemos conscientizar a nossa Sociedade e chamar a atenção de todos os profissionais que trabalham na Medicina do Sono para o relevante papel do Otorrinolaringologista na avaliação e tratamento desta complexa síndrome.

Artigo Publicado em: 24 de julho de 2017 e Atualizado em 13 de fevereiro de 2019

Apneia do Sono em Crianças

Apneia do Sono em Crianças e Distúrbios de Aprendizagem

A apneia do sono em crianças tem impacto negativo no desempenho e no comportamento escolar, pois pode afetar a atenção, memória, estruturação espacial e ansiedade.

Veja neste artigo mais informações sobre a influência da apneia do sono no desempenho escolar.

Apneia do Sono em Crianças

A apneia do sono na infância é um distúrbio respiratório relacionado ao sono que se caracteriza por uma obstrução intermitente parcial ou completa das vias aéreas superiores que interrompe o sono e seus padrões normais. A apneia do sono em crianças tem características muito diferentes da apneia do sono no adulto em termos de sua etiologia, sintomas e tratamento.

É uma patologia muito prevalente em crianças, pois estima-se que entre 2% e 4% das crianças entre 2 e 6 anos sofrem desta síndrome. O percentual de crianças que ronca é ainda maior, já que de 7 a 16,7% das crianças de 6 meses a 13 anos e de 5 a 14,8% dos adolescentes apresentam ronco.

Apneia do Sono em Crianças – Fatores de Risco

Na infância, os fatores de risco ou algumas das causas que podem favorecer o desenvolvimento da SAOS são os amígdalas grande (hipertrofia tonsilar) , têm adenoides nasais (adenoides) , as malformações craniofaciais , doenças neurológicas, neuromuscular, paralisia cerebral infantil, refluxo gastroesofágico e obesidade, um fator de risco que está em ascensão.

Apneia do Sono em Crianças e Transtornos de Aprendizagem

A atenção direta está alterada em 45,5% das crianças com apneia do sono. A hiperatividade está presente em 30,8% dos casos e o déficit de atenção em 53,8%, de acordo com o Documento de Consenso da síndrome da apneia e hipopneia durante o sono em crianças, publicadas no periódico Archivos de Bronconeumología, a revista científica da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR).

De fato, a comorbidade dos distúrbios respiratórios relacionados ao sono e do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é estimada em 23%, de acordo com esse documento.

Estudos sobre Apneia do Sono em Crianças e Transtornos de Aprendizagem

Quase metade das crianças com apneia do sono apresentam problemas comportamentais. Uma metanálise de 61 estudos, citada no documento de consenso, mostrou que crianças com esse transtorno apresentam problemas no comportamento escolar, na regulação emocional, na atenção seletiva, na atenção sustentada e na manutenção do estado de alerta. Evidências também têm sido vistas de que o distúrbio respiratório afeta o humor, a expressão linguística, a percepção visual e a memória de trabalho.

Outra meta-análise de 55 estudos, também citada no documento de consenso, descobriu que a hipóxia, seja crônica ou intermitente, também tem um impacto negativo no comportamento e desempenho escolar. Na verdade, outro grande estudo realizado em 1.010 roncadores e não roncadores crianças, com idades entre 5 e 7 anos de escolas públicas pela Universidade de Chicago e da Universidade de Louisville e publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, analisou as repercussões da apneia obstrutiva de acordo com sua gravidade, de moderada a grave.

O estudo concluiu que esta síndrome pode causar deterioração cognitiva, observando que apenas o fato de roncar já afeta as funções neurocognitivas. Mas nos casos mais graves, o fato de as crianças não desenvolverem bem suas habilidades, uma conclusão que tem sido demonstrada por várias medidas cognitivas tomadas para crianças e que foram classificadas de acordo com a gravidade do seu distúrbio respiratório do sono, poderia ter um impacto adverso sobre a capacidade dessas crianças não apenas para alcançar seus objetivos acadêmicos, mas também adaptativas e pode dificultar sua capacidade de alcançar a independência.

Apneia do Sono em Crianças e as Consequências Negativas para o Organismo

A falta de sono, o sono não reparador e a hipóxia – ou falta de oxigênio no cérebro devido à obstrução das vias aéreas em crianças com distúrbio respiratório do sono – apresentam consequências negativas para o organismo.

Foi totalmente demonstrado que o distúrbio pode causar problemas de aprendizagem, com diminuição do desempenho escolar. Por isso, é de extrema importância procurar o atendimento de um médico do sono ao observar episódios de ronco e/ou apneia do sono em seu filho.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono: Discussão

Veja nesta página, a discussão do estudo: “Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono“, publicado online em 10 de março 2016 no periódico International Archives of Otorhinolaryngology.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono – Discussão

A importância da AOS e suas comorbidades associadas na otorrinolaringologia tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Presente entre as principais queixas em clínicas especializadas, esta doença provoca inflamação crônica e diminuição da qualidade de vida.

Sobrepeso

A prevalência de AOS está fortemente associada ao sobrepeso e à obesidade em estudos transversais e clínicos. A obesidade é conhecida por ser uma causa de AOS e é provável que seja uma consequência da mesma. Essa complexidade torna especialmente difícil interpretar a relação entre as duas condições e entre a AOS e sua relação com doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos. Em uma amostra aleatória de pacientes de meia-idade, tirada de um estudo de coorte de Wisconsin, o aumento de 1 ponto no desvio padrão da obesidade foi associado a um aumento de 4 vezes o risco de apneia do sono.

Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2012, com retrospectiva de seis anos, o percentual de obesos aumentou de 11,6% para 17,4%. No presente estudo, a prevalência de obesidade em pacientes com AOS foi de 32%, quase o dobro da população geral. Além disso, foi a única comorbidade que obteve valor significativo (p ?<0,05) confirmando a relação direta de sua prevalência com AOS e correlacionando-se diretamente com a gravidade.

Hipertensão Arterial

Estudos clínicos anteriores indicam que a AOS pode estar associada à hipertensão e 50% dos pacientes acabam tendo as duas patologias associadas. Vários estudos transversais sugerem uma associação independente entre AOS e hipertensão. Achados discrepantes foram observados no Sleep Heart Health Study, um estudo prospectivo de coorte para monitorar o desfecho cardiovascular em pacientes diagnosticados com distúrbios do sono. O valor de p para hipertensão foi significativo com o aumento do IAH, no entanto, essa relação foi atenuada e não foi significativa após uma correlação com o IMC, sugerindo que grande parte da relação entre IAH e hipertensão resultou da obesidade.

Em relação à hipertensão arterial, os dados mais recentes no Brasil, de 2012, mostraram que a prevalência média de hipertensão na população brasileira foi de 24,3%. Em nosso estudo, 39% dos pacientes tinham hipertensão, uma taxa maior do que a população geral e uma taxa maior do que a porcentagem geral para pacientes obesos, no entanto, não houve valor significativo de correlação entre AOS e hipertensão.

Uma explicação para esses resultados é que a maior diferença entre as proporções da variável hipertensão foi de 25,0% (leve IAH) versus 46,0% (grave IAH); uma diferença de 21% não é suficiente para observar uma diferença estatisticamente significante, enquanto a variável obesidade produziu uma diferença de 25,4%, suficiente para produzir uma diferença estatisticamente significante. Em um estudo em que um dos grupos tem um N reduzido (IAH leve, N = 16), as diferenças entre os valores devem ser maiores para observar a significância estatística.

Sintomas Psiquiátricos

Os sintomas psiquiátricos ou distúrbios associados à AOS incluem depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, entre outros. Parecem ser mais comuns e mais graves em mulheres com AOS do que em homens. Os sintomas da depressão, embora prevalentes na AOS, não se correlacionam com a gravidade. Em nosso estudo, encontramos 19% de pacientes com sintomas depressivos usando medicação, sem diferenças significativas entre os valores de IAH.

Vários autores avaliaram a possível associação entre DRGE e AOS. No entanto, apenas um único estudo confirmou a relação direta entre as duas doenças. Em nosso estudo, 18% dos pacientes com AOS foram diagnosticados com DRGE, sem correlação com a gravidade da apneia.

Diabetes

A associação entre AOS e DM tipo II é reconhecida. Estudos transversais sugerem que até 30% dos pacientes com OSA tem DM tipo II e até 86% de pacientes obesos com DM tipo II têm OSA. No entanto, devido à presença de variáveis, especialmente a obesidade, a pesquisa não demonstrou uma relação causal direta entre AOS e alterações no metabolismo da glicose. Quinze por cento de nossos pacientes apresentavam DM associada à AOS, sem evidência de correlação entre o IAH e o DM tipo II.

Hipercolesterolemia

Dados do Sleep Heart Health Study indicaram que os níveis de colesterol total foram associados a valores de IAH, após correlação com a idade e o IMC. A maioria dos outros estudos clínicos que discutem a relação entre AOS e dislipidemia tem um número reduzido de participantes; no entanto, ao comparar estudos de valores de dislipidemia com indivíduos sem AOS, esses estudos mostraram um aumento das anormalidades lipídicas em pacientes com AOS.

O IAH foi o principal determinante para a disfunção do colesterol. Essas observações sugerem que o colesterol tende a ser alterado em pacientes com AOS e contribui em parte para aumentar o risco cardiovascular. Em nosso estudo, 10% de todos os pacientes apresentavam hipercolesterolemia e todos apresentavam IAH moderado ou grave, sugerindo uma correlação entre IAH e hipercolesterolemia, embora não tenha sido encontrado valor de significância estatística.

Doenças Respiratórias

Várias publicações discutiram a relação entre asma e AOS. Salles et al relataram que a AOS é prevalente em pacientes com asma e está associada à gravidade da doença. A asma está associada à inflamação aguda e crônica que afeta os músculos respiratórios, incluindo os dilatadores das vias aéreas superiores.

O mecanismo biológico que correlaciona a asma à AOS seria o fato de que a inflamação das vias aéreas superiores causada pela asma facilitaria o colapso dos músculos favorecendo a AOS. O Programa Nacional de Educação e Prevenção da Asma recomenda o rastreamento da AOS em pacientes com asma porque o tratamento da AOS mostrou-se eficaz na melhora dos sintomas da asma.

Em nosso estudo, apenas 4% dos pacientes tinham asma associada à AOS, embora não apresentassem valores expressivos; apenas pacientes com apneia grave tinham asma associada.

Limitações para o Estudo

Existem limitações para este estudo. O primeiro é devido a uma amostra modesta de pacientes ( n ?= 100), segundo, não dependemos de um grupo controle sem AOS e correlacionamos com comorbidades associadas.

Identificamos uma relação estatisticamente significante entre AOS e obesidade, observando que a obesidade é mais prevalente quanto maior o IAH. Em relação a outras comorbidades, não conseguimos obter valores estatisticamente significantes, porém uma maior porcentagem de pacientes com comorbidades associadas tem um alto IAH.

Com base nos dados obtidos em nosso trabalho e na literatura atual, podemos correlacionar alguns aspectos entre a AOS e as comorbidades associadas, no entanto, pesquisas adicionais sobre esse tema podem ser capazes de revelar correlações mais óbvias entre as patologias.

Conclusão

A relação causal da OEA com as comorbidades associadas ganhou notoriedade na literatura com o surgimento de estudos prospectivos utilizando polissonografia em grande número de pacientes. Os dados atuais apoiam a AOS como um fator de risco independente para o surgimento de comorbidades. Pacientes com fatores de risco para apneia do sono devem ser devidamente investigados, uma vez que a falha na identificação do distúrbio do sono pode contribuir para a falha terapêutica no tratamento das comorbidades.

Com base nos dados da literatura atual e nos valores encontrados em nosso trabalho, podemos correlacionar com valores de obesidade de significância com AOS e seus valores de IAH; no entanto, apesar da prevalência significativa de AOS com outras comorbidades, não podemos confiar em valores significativos em nosso estudo para justificar suas correlações.

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Tratamento da SRVAS

Muitos pacientes com SRVAS permanecem sem tratamento após a avaliação inicial. A piora dos sintomas de insônia, fadiga e depressão são descritos em sua ausência. Para saber mais sobre o tratamento da SRVAS e como ele pode melhorar a qualidade de vida do paciente, continue a leitura deste artigo.

O Tratamento da SRVAS

As opções de tratamento para todas as desordens respiratórias do sono se distribuem em quatro categorias gerais: modificações no estilo de vida, cirurgia, aparelhos intraorais e pressão positiva contínua em vias aéreas – CPAP.

O tratamento requer consideração individual em cada caso. Todas as formas de tratamento devem ser discutidas com o paciente quanto a riscos e benefícios envolvidos. Quando a cirurgia é considerada, a possibilidade de redução do ronco ou eliminação dos sintomas deve ser esclarecida para redução de possível expectativa distorcida do paciente.

Uma vez iniciado o tratamento, é fundamental que se registrem os resultados da intervenção de formas tanto subjetiva por meio de questionários, como objetivamente, pela polissonografia.

Perda de Peso

É clinicamente observado que a perda de peso melhora o ronco. Em geral, não é possível predizer quanto peso é necessário perder para abolir os sintomas, mas a redução de peso deve ser a primeira recomendação dada aos roncadores, independentemente da associação de outros métodos de tratamento. Medicações são necessárias para o tratamento de alergia e congestão nasal que, marcadamente, aumentam a resistência nasal e com isso elevam o número de despertares, dificultando a adaptação de CPAP.

Terapia Posicional

A terapia posicional é recomendada, já que o decúbito supino favorece os eventos respiratórios. Investigações indicam que o ronco e apneia dependem da posição em até metade dos pacientes. Aparelhos intraorais são uma opção prática, segura, pouco invasiva, bem tolerada e efetiva em casos selecionados de pacientes com SRVAS. Dados indicam 40% de melhora objetiva e 70% de satisfação subjetiva.

Dilatadores Nasais

Dilatadores nasais comprovadamente reduzem a resistência nasal em pacientes com colapso de válvula nasal e assim ajudam na adaptação de CPAP, que é amplamente usado como primeira escolha no tratamento e também é indicado como teste terapêutico para demonstrar a melhora dos sintomas do paciente.

Adicionar terapia cognitiva comportamental, associada ao CPAP, parece beneficiar pacientes com sintomas de insônia ou psicossomáticos secundários à SRVAS.

Procedimentos Cirúrgicos

Procedimentos cirúrgicos são uma atraente alternativa de tratamento já que oferecem possibilidade de cura rápida, sem necessidade de modificação do estilo de vida ou uso de aparelhos. Al alternativas envolvem operação de nariz, faringe, língua, maxila e mandíbula, além de ferramentas como laser e radiofrequência.

Septoplastia e redução de cornetos hipertrofiados com radiofrequência podem tratar esses pacientes de forma efetiva, porém as anormalidades anatômicas desses pacientes frequentemente envolvem tecido mole de palato e estruturas ósseas de maxila e mandíbula.

A disjunção maxilar está indicada a casos selecionados de deficiência transversal da maxila e palato ogival. Esta técnica pode ser realizada por via nasal concomitante à septoplastia e turbinoplastia, cujos resultados são satisfatórios e comprovados com rinomanometria. A disjunção maxilar associa-se, via de regra, à osteotomia Le Fort I com avanço maxilar e piriformeplastia.

Pode-se observar que o tratamento do nariz possui destaque nas técnicas mencionadas, sendo perfeitamente viável através das osteotomias maxilares. Representa um dos fatores mais significativos na diminuição da resistência respiratória, aumento da estabilidade dos resultados e melhora na aderência à terapia com CPAP nos casos de falha do tratamento cirúrgico primário.

A distração osteogênica de mandíbula tem sido referida como parte do tratamento cirúrgico de pacientes com micrognatia, principalmente em crianças portadoras da sequência de Robin. Tratamento ortodôntico, tal como distração rápida maxilar, é realizado predominantemente em crianças, em adultos é necessária a incisão óssea da maxila e/ou da mandíbula e uso de distratores. A distração osteogênica para pacientes com distúrbios respiratórios do sono tem mostrado melhora clínica significativa.

Desde 1995, Pinto e Colombini utilizam como protocolo o avanço maxilomandibular associado à glossectomia de linha média com laser de CO2 objetivando a otimização dos resultados de pacientes selecionados. Dessa forma, os avanços se tornaram mais estáveis com melhora acentuada do ronco e da sonolência excessiva diurna.

Considerações Finais

Um estudo completo dos sinais e sintomas, seguido de polissonografia, é necessário para avaliação do paciente com SRVAS. Este é um distúrbio de alta prevalência e pode estar associado a sintomas diurnos por vezes incapacitantes. Assim, quanto mais familiarizados os médicos estiverem com sua apresentação clínica, melhor e mais acurado será o diagnóstico. O tratamento é capaz de melhorar de forma significativa os sintomas e deve ser iniciado precocemente, evitando as comorbidades da doença.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono: Estudo

Veja nesta página, detalhes do estudo: “Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono“, publicado online em 10 de março 2016 no periódico International Archives of Otorhinolaryngology.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono – Estudo Retrospectivo

Métodos

Nosso estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, registrado sob o número 437-760. Delineamos um estudo observacional retrospectivo de corte transversal. Realizamos a avaliação revisando o protocolo de pacientes com AOS no serviço de otorrinolaringologia no período de outubro de 2010 a janeiro de 2013.

O protocolo de avaliação incluiu anamnese, exame físico completo, medidas antropométricas (peso, índice de massa corporal (IMC), circunferência do pescoço (CP), circunferência da cintura (CC), circunferência pélvica (PC)) e exame otorrinolaringológico completo com exame de nasofibrolaringoscopia e polissonografia. Nós consideramos para obesidade um IMC> 30.

Classificamos o grau de apneia de acordo com o índice de apneia hipopneia (IAH em: leve (= 5 a <15 eventos / hora), moderada (= 15 a <30 eventos / hora) e grave (= 30 eventos / hora).

Todos os pacientes preencheram questionários com relação às doenças dos sistemas cardiovascular, respiratório, endócrino, neurológico, psiquiátrico, geniturinário, gastrointestinal e metabólico. O diagnóstico de comorbidade contou apenas com a resposta ao nosso questionário, e quando a resposta foi positiva quanto ao paciente ter comorbidade, o paciente descreveu os medicamentos em uso.

Os critérios de inclusão foram pacientes da coorte ambulatorial da SAOS, pacientes com protocolos completos, pacientes com idade entre 18 e 80 anos e pacientes de ambos os sexos. Os critérios de exclusão foram pacientes com tumores e / ou pólipos nas vias aéreas superiores, pacientes com deformidade craniofacial (deformidade craniofacial já pode ser um fator isolado para o IAH, independentemente de comorbidades associadas), pacientes com história prévia de cirurgia de vias aéreas e / ou cirurgia abdominal.

Para análise dos dados, comparamos proporções entre três grupos independentes e aplicamos o teste exato de Fisher-Freeman-Halton. Quando observamos diferença significativa, procedeu-se a múltiplas comparações de proporções via testes de permutação. Descrevemos variáveis categóricas por contagens e proporções. Variáveis quantitativas com distribuição normal e assimétrica foram descritas como média ± desvio padrão e mediana (intervalo interquartílico), respectivamente.

Nós avaliamos a normalidade por inspeção visual de histogramas. O software R (R Foundation, Viena, Áustria) foi usado para análise de dados estatísticos. Todas as probabilidades de significância apresentadas são do tipo bilateral e valores inferiores a 0,05 foram considerados estatisticamente significativos.

Resultados

Foram avaliados 100 pacientes, sendo 84 do sexo masculino e 16 do sexo feminino, com média de idade de 50,05 anos, variando de 19 a 75 anos. O IMC variou de 20,7 a 50,81 com uma média de 28,95.

Dividimos a amostra em 3 grupos independentes de acordo com o IAH usando um ponto de corte:

  • apneia leve (= 5 a <15 eventos / hora)
  • apneia moderada (= 15 a <30 eventos / hora)
  • apneia grave (= 30 eventos / hora)

O IAH variou de 6,7 a 98,59 com uma média de 35,19; 16 pacientes apresentavam IAH leve, 34 pacientes tinham IAH moderada e 50 pacientes tinham IAH grave.

Após a divisão da amostra, analisamos comorbidades (Obesidade, Hipertensão, Depressão, Doença do Refluxo Gastroesofágico, Diabetes Mellitus, Hipercolesterolemia e Asma) separadamente em relação ao IAH, utilizando o teste exato de Fisher-Freeman-Halton para determinar se houve diferença significativa nas proporções entre os três grupos (teste de Fisher-Freeman-Halton, p?= 0,010).

As comorbidades foram associadas em 56,2% dos pacientes com diagnóstico de AOS leve, em 67,6% com AOS moderada e em 70% dos pacientes com AOS grave. As prevalências em relação às comorbidades associadas foram:

  • obesidade (32%), 30 homens e 2 mulheres, dentre estas, 23 com AOS grave, 7 com AOS moderado e 2 com AOS leve,
  • hipertensão (39%), 38 homens e 1 mulher, entre deles, 23 tinham AOS grave, 12 AOS moderada e 4 AOS leve;
  • depressão (19%), 16 homens e 3 mulheres, dentre eles, 7 tinham SAOS grave, 7 SAOS moderada e 5 SAOS leve;
  • doença do refluxo gastroesofágico (18%), 10 pacientes tiveram AOS grave, 7 AOS moderada e 1 AOS leve;
  • diabetes mellitus (15%), dentre eles, 9 tinham SAOS grave, 5 SAOS moderada e 1 SAOS leve 1;
  • hipercolesterolemia (10%), 6 deles tinham AOS grave e 4 AOS moderada;
  • asma (4%) todos tinham AOS grave.

Veja no próximo artigo a discussão da pesquisa e conheça a importância dessa avaliação.

quadro-clinico da SRVAS

Quadro Clínico da SRVAS

Os sintomas principais da SRVAS são: fadiga, sonolência excessiva diurna, mialgias, enxaqueca. Apesar de os sintomas de Saos se sobreporem aos da SRVAS, algumas diferenças no quadro clínico da SRVAS são evidentes conforme estudos atuais.

Com a leitura deste artigo, compreenda melhor os sintomas e diagnóstico da Síndrome da Resistência da Via Aérea Superior.

O Quadro Clínico da SRVAS

Pacientes com SRVAS percebem seus sintomas de forma diferente daqueles com Saos. Eles apresentam mais queixas funcionais somáticas quando comparados aos com apneia do sono. Insônia, cefaleia, bruxismo, cólon irritável são frequentes queixas. Extremidades frias, hipotensão postural estão relacionadas ao baixo nível de pressão arterial médio nesses pacientes. Dores musculares, precipitadas por emoção, podem dificultar o diagnóstico diferencial com síndrome da fadiga crônica, fibromialgia e com alterações psiquiátricas.

O ronco não é pré-requisito para essa síndrome, mas sua presença implica resistência de via aérea superior aumentada. Pode estar presente, mas em geral não tem caráter ressuscitador, nem costuma ser intenso.

Esses pacientes também apresentam queixas de sono agitado e fragmentado, boca seca, salivação excessiva durante a noite. Há diminuição do limiar de despertar, levando o paciente a acordar em resposta ao aumento, por vezes leve, do esforço respiratório.

Exame Físico

O exame físico deve documentar a presença de obesidade geral ou regional, pressão arterial, peso, altura, índice da massa corporal – IMC -, circunferência cervical e abdominal, além de alterações anatômicas locais da via aérea superior como pólipos nasais e hipertrofia tonsilar. Os pacientes, em geral, são obesos.

No exame da via aérea superior é útil observar o tamanho da língua e o posicionamento anteroposterior da sua base; quanto a úvula está edemaciada e alongada; hipertrofia e medialização dos pilares da loja tonsilar, identificar hipertrofia de corneto, desvio de septo nasal e estreitamento de válvulas nasais externas.

As características anatômicas de pacientes com SRVAS são intermediárias àquelas em indivíduos com Saos e pacientes não apneicos, especialmente em relação ao comprimento do palato mole e posição do osso hióide. Achados positivos do exame físico provavelmente não têm implicação terapêutica, mas são úteis para justificar anatomicamente o ronco e aumentar a suspeita de apneia do sono.

A maior parte dos pacientes apresenta algum grau de deficiência maxilar ou mandibular na avaliação craniofacial. Hipoplasia do terço médio da face, retrognatia ou micrognatia podem estar presentes de forma pronunciada ou consistir apenas em crescimento anormal da maxila, associado à redução da distância intermolar e palato duro estreito e arqueado.

A investigação clínica isolada é insuficiente para identificar pacientes com SRVAS e Saos. A impressão subjetiva tem sensibilidade e especificidade em torno de 60%. O valor preditivo do ronco é de 49%, da observação de apneia pelo companheiro de cama, de 56%. A história e exame físico podem predizer distúrbio respiratório do sono em aproximadamente 50% dos pacientes. No entanto, o diagnóstico definitivo requer o estudo do sono.

Investigação Laboratorial

Os dois exames principais a serem considerados são a nasofaringoscopia e a polissonografia. Exames de imagem e documentação ortodôntica também fazem parte do protocolo de centros especializados e têm indicação definida tanto nas discrepâncias craniofaciais como em faces normais de pacientes apneicos.

O exame nasofaringoscópico é importante para a visualização das estruturas anatômicas e do volume de tecido presente para que se possa fazer um julgamento subjetivo das opções de tratamento. Simulação de ronco e manobra de Muller apresentaram valor preditivo para apneia em 33% dos pacientes selecionados, sendo pouco úteis na localização do sítio de obstrução ou predição do sucesso terapêutico.

Somnoendoscopia

A somnoendoscopia representa um grande avanço na abordagem diagnóstica, pois permite uma avaliação direta e dinâmica, sob visão endoscópica, da via aérea superior, durante o sono induzido. Dessa forma, pode-se definir, através de uma avaliação objetiva, a localização e o tipo de obstrução da faringe, além do sítio de geração do ronco, permitindo indicar com maior propriedade o tratamento adequado ao paciente e, sendo este cirúrgico, aumentar a probabilidade de sucesso.

Polissonografia

Pacientes roncadores, sintomáticos ou não, devem ser submetidos à avaliação polissonográfica para estabelecer ou excluir o diagnóstico de Saos e SRVAS, além de classificar o estado atual da doença, o que também é útil no registro dos resultados terapêuticos. O mínimo de doze canais, incluindo encefalograma, eletromiograma, eletroculograma, cânula de pressão e/ou medida da pressão esofágica, ECG e oximetria de pulso são necessários para o diagnóstico.

A medida de pressão esofágica, obtida pelo uso de um transdutor de pressão posicionado no terço médio do esôfago, é o padrão ouro para registro de anormalidades relacionadas ao esforço respiratório, entre elas: pressão esofágica com aumento progressivo, terminando em despertar não associado à dessaturação do oxigênio, esforço aumentado contínuo com duração de quatro ou mais respirações, reversão da pressão esofágica com uma queda abrupta do esforço respiratório.

Na prática, tem-se utilizado a cânula nasal com transdutor de pressão, que é capaz de estimular uma limitação de fluxo por meio da alteração típica de achatamento de sua curva. Assim, ao se contabilizar tais eventos, obtém-se um índice de eventos respiratórios não mais restrito à apneia e hipopneia.

Como esperado, um índice de despertares breves elevados na polissonografia associado à sonolência excessiva diurna não explicada pode ser um sinal de SRVAS. Há mais sono de ondas lentas e menor limiar de despertar quando comparados aos pacientes com Saos.

Questionários para a quantificação dos sintomas, como Escala de Epworth, Sleep Disorders Questionnaire e exames objetivos, como Teste de Latências Múltiplas do Sono, acrescentam dados na investigação e devem fazer parte do protocolo de atendimento.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono: Introdução

Veja nesta página, a introdução do artigo: “Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono“, publicado online em 10 de março 2016 no periódico International Archives of Otorhinolaryngology.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono – Introdução

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é caracterizada por obstrução parcial ou completa da via aérea recorrente durante o sono, resultando em períodos de apneia, dessaturação de oxihemoglobina e frequentes despertares noturnos com sonolência diurna excessiva como consequência, reduzindo o desempenho no trabalho e nas atividades sociais.

Segundo Young, a prevalência de AOS em adultos entre 30 e 60 anos varia de 2% em mulheres até 4% em homens. Um estudo brasileiro revelou que a incidência de AOS é de ~32,8% na população de São Paulo.

A prevalência de AOS associada a altas taxas de morbidade e mortalidade aumenta com a idade e o pico ocorre aos 55 anos, sendo mais prevalente no sexo masculino na proporção de 2:1. É mais comum em mulheres no período pós-menopausa.

Fisiopatologia da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono

A fisiopatologia da SAOS ainda não foi totalmente elucidada. Sabemos que durante os eventos respiratórios ocorre uma queda na saturação de oxigênio, causando ativação do barorreflexo, desencadeando uma resposta do sistema nervoso simpático, descarga adrenérgica levando a taquicardia e a picos de hipertensão.

Este processo se repete muitas vezes durante o sono em pacientes apneicos, levando à quimioreflexia periférica de hipersensibilidade. Essa resposta exagerada, mesmo em normóxia, leva à disfunção a longo prazo do barorreflexo, aumento da descarga adrenérgica, disfunção cardiovascular, inflamação sistêmica e desregulação metabólica com resistência à insulina e diabetes mellitus tipo II.

Consequências da Apneia Obstrutiva do Sono

A AOS traz muitas consequências adversas, como hipertensão, obesidade, diabetes mellitus, alterações cardíacas e encefálicas, comportamentais, entre outras, resultando em importante fonte de atenção à saúde pública, gerando um alto impacto financeiro e social. Essas comorbidades estão associadas ao aumento da mortalidade em pacientes com AOS em comparação com a população geral da mesma faixa etária.

A AOS é uma doença sistêmica que causa aumento das citocinas inflamatórias, do fator de necrose tumoral a, da interleucina-6, do aumento da resistência à insulina e da intolerância à glicose.

As doenças cardiovasculares são hoje a principal causa de mortalidade no mundo. Vários estudos confirmam a importância de fatores como tabagismo, níveis elevados de LDL-colesterol, baixos níveis de colesterol HDL, diabetes mellitus, hipertensão, história familiar, obesidade, inatividade física, obesidade central, síndrome metabólica e ingestão de álcool na gênese, da aterosclerose e suas complicações clínicas.

Além desses fatores, há evidências recentes de aumento da mortalidade cardiovascular em pacientes com AOS. Outras comorbidades associadas à AOS são: depressão, asma e doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

A prevalência de DRGE em pacientes com AOS é significativamente maior que na população geral. Estudos recentes mostraram que o tratamento com um dispositivo de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) reduz significativamente os sintomas da DRGE e a exposição do pH ácido no esôfago, bem como melhora o número de despertares e índices de apneia.

Fatores de Risco da Apneia Obstrutiva do Sono

Os fatores de risco para apneia obstrutiva do sono são obesidade, idade, sexo, menopausa, anomalias craniofaciais, tabagismo, uso de álcool e história familiar.

Veja no próximo artigo os detalhes da pesquisa que avaliou a prevalência das principais comorbidades associadas à AOS em um grupo selecionado de pacientes com diagnóstico clínico e polissonográfico de AOS. A importância dessa avaliação mostra-se útil, pois a incidência de pacientes com comorbidades associadas ao AOS tem aumentado de forma consistente e apresenta influência significativa na história natural da doença.

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