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Medicina do Sono

Otorrinolaringologia e a Medicina do Sono

A Academia Americana de Otorrinolaringologia reconhece o importante papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono, o que também gostaríamos de trazer à realidade brasileira.

Apesar do sono ocupar um terço das nossas vidas, somente na segunda metade do século XX a Medicina despertou para este complexo fenômeno. As pesquisas sobre o sono nasceram em Chicago com Kleitman, ganhando corpo com a descoberta do sono REM pelo mesmo e seu aluno Asersinsky em 1953.

Continue esta leitura e compreenda melhor o papel da Otorrinolaringologia na Medicina do Sono.

O Desenvolvimento da Medicina do Sono

A partir das pesquisas sobre o sono na segunda metade do século XX, uma explosão de pesquisas fundamentais foram acontecendo nos campos da eletrofisiologia, farmacologia, bioquímica, com o reconhecimento dos mistérios do sono e seus distúrbios.

Este rápido processo de desenvolvimento fica bem demonstrado com o crescimento das clínicas e laboratórios do sono que, a partir da Clínica de Distúrbios do Sono da Universidade de Stanford criada por Dement e seu discípulo Guilleminault em 1970, chegaram a 100 nos anos 80, atingindo hoje quase 3.000 nos USA.

A Medicina do Sono tornou-se uma especialidade multidisciplinar envolvendo neurologistas, pneumologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas, bucomaxilos, cardiologistas, endocrinologistas, cirurgiões bariátricos, dentistas, fisioterapeutas e nutricionistas.

Paralelamente, houve um especial interesse da indústria médica no desenvolvimento de aparelhos para diagnóstico (equipamentos de polissonografia) e tratamento (CPAP, equipamentos cirúrgicos).

No Brasil, este progresso chegou mais tarde, porém, expandiu-se rapidamente nos anos 90 e transformou-se numa das áreas mais atraentes de estudo e trabalho para o ORL.

A Evolução da Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente como o último da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Depois de um grande entusiasmo inicial, resultados irrealísticos e controversos mostraram-se desanimadores em longo prazo, a grande maioria por indicações imprecisas e inconsistentes envolvendo somente uma área da obstrução, deixando outras áreas colapsáveis sem tratamento.

Isto levou ao descrédito o tratamento cirúrgico para a apneia do sono, estimulando os tratamentos não cirúrgicos, tentando-se de várias formas demonstrar a pouca efetividade das cirurgias.

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados.

Novas Perspectivas para a Medicina do Sono

No tratamento do câncer de cabeça e pescoço, temos o sistema TNM, um sistema de classificação para os médicos estadiarem diferentes tipos de câncer, com base em determinadas normas, sendo o guia fundamental na seleção do tratamento apropriado.

Contudo, nos distúrbios respiratórios sono-dependentes ainda não tínhamos um sistema de estadiamento universalmente aceito, o que agora vamos gradualmente conseguindo como o demonstra o estadiamento proposto por Friedman baseado na posição da língua, no tamanho das tonsilas palatinas e no índice de massa corporal.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Artigo Publicado em: 17 de julho de 2017 e atualizado em: 22 de maio de 2019

Apneia do Sono e Diabetes

Apneia do Sono e Diabetes – Uma íntima relação

Se você tem diabetes tipo 2, há uma grande chance de ter apneia obstrutiva do sono. A relação entre apneia do sono e diabetes acontece pois a apneia obstrutiva do sono (AOS) altera o metabolismo da glicose e promove a resistência à insulina em ao menos 50% dos casos. Pesquisas estimam que este número chega a 60 a 80%. Neste artigo, vamos demonstrar a interação entre resistência à insulina e apneia do sono, além dos possíveis mecanismos que contribuem para esta comorbidade.

Apneia do Sono e Diabetes

A apneia obstrutiva manifesta-se com a interrupção da respiração durante o sono, por segundos ou até minutos, durante várias vezes à noite. A falta de oxigenação nestas paradas pode causar importantes problemas de saúde, com graves riscos, como ataques cardíacos, pressão alta, arritmias, derrames, diabetes e mesmo demências.

A obesidade é um moderador chave do efeito da AOS no diabetes tipo 2. No entanto, a exposição crônica à hipóxia intermitente e outros efeitos fisiopatológicos da AOS afetam diretamente o metabolismo da glicose, e o tratamento da AOS pode melhorar a homeostase da glicose.

Apneia do Sono e Doenças Cardiovasculares

Diversos estudos já mostraram que pacientes com Apneia Obstrutiva do Sono apresentam maior risco para doenças cardiovasculares. Contudo, ainda permanece inconclusivo se essa associação depende da obesidade ou se ocorre devido a alterações fisiológicas que a própria apneia do sono provoca, como ativação do sistema nervoso simpático, da inflamação e outras desordens que predispõem a danos vasculares.

Os mecanismos subjacentes à disfunção vascular na AOS incluem ativação simpática e estresse oxidativo (por hipóxia intermitente, hipercapnia e despertares). Essas perturbações resultam na redução da produção de vasodilatadores dependentes do endotélio, como o óxido nítrico. Além disso, a AOS está associada a um estado pró-inflamatório e hipercoagulável – outra via que causa lesão vascular. Esses mecanismos explicam a observação de que a gravidade da AOS, conforme indicado pelo IAH, está significativamente associada ao risco de AVC (razão de chances 2,5) em pacientes com diabetes tipo 2. Deve-se notar que este estudo incluiu populações mais velhas e obesas com alta prevalência de AOS (86%). Os efeitos independentes da AOS na DCV devem ser examinados em populações magras e jovens com diabetes tipo 2.

Muitos fatores de risco para doenças cardiovasculares estão fortemente associados ao distúrbio respiratório, entre eles hipertensão, obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.

Homens em torno de 40 anos, com sobrepeso ou obesidade apresentam um maior risco de apneia. Isto é preocupante pois a má qualidade do sono que esta doença causa prejudica a qualidade de vida e aumenta os risco de acidente automobilísticos e de trabalho.

A probabilidade destes pacientes terem diabetes tipo 2 também decorre do déficit de sono, estresse, excesso de peso, com dificuldades metabólicas, que levam a dificuldades de manter os níveis de açúcar sob controle.

Além do ronco e sonolência excessiva diurna, o aumento da diurese noturna, dores de cabeça pela manhã, engasgos e sudorese excessiva durante a noite também fazem parte do quadro.

Influência da Apneia do Sono na Síndrome Metabólica

Os mecanismos de resistência à insulina e disfunção das células β pancreáticas explicam as observações epidemiológicas de que a prevalência de pré-diabetes e diabetes tipo 2 está aumentada na AOS. Curiosamente, há evidências que sugerem que a diabetes tipo 2 aumenta independentemente a probabilidade de distúrbios respiratórios do sono, possivelmente devido aos efeitos no sistema nervoso central e autônomo. A prevalência de AOS em pessoas com diabetes tipo 2 é variável, e as estimativas variam de 18% na atenção primária a 58% em uma coorte mais velha e tão alto quanto 86% em populações obesas com diabetes tipo 2.

Tratamento da Apneia do Sono no Controle da Diabetes

Estudos recentes sugerem que o tratamento da AOS com terapia de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) reduz a resistência à insulina e melhora o controle glicêmico em pacientes com pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

Se você suspeita de ter apneia do sono, consulte um especialista, que vai realizar um estudo do seu sono. Estes estudos podem ser feitos em laboratórios ou mesmo em sua casa, com maior comodidade.

O diagnóstico precoce da apneia é fundamental para a profilaxia das inúmeras comorbidades que essa doença leva.

São vários tratamentos disponíveis atualmente, sejam cirúrgicos ou não cirúrgicos. Pacientes diabéticos com apneia, quando tratados, apresentam excelente melhora no controle do açúcar no sangue, com diminuição da necessidade de tratamento medicamentoso.

Artigo Publicado em: 14 de setembro de 2017 e Atualizado em: 02 de maio de 2019

Tipos de Polissonografia

Conheça os Diferentes Tipos de Polissonografia

As polissonografias são classificadas dependendo do nível de complexidade de investigação que oferecem. São classificadas em polissonografias diagnósticas dos níveis I, II, III e IV, polissonografias de titulação de CPAP e de outros aparelhos de ventilação não invasiva, além de polissonografias com montagem neurológica e com vídeo.​ Continue a leitura e saiba mais sobre os tipos de polissonografia.

Os Tipos de Polissonografia Diagnóstica

Polissonografia Nível I

A polissonografia nível I é o exame padrão realizado para diagnóstico dos distúrbios do sono. É um exame diferenciado, realizado no laboratório do sono de forma completa e abrangente. Podemos avaliar os vários estágios do sono, assim como os movimentos corporais, ritmo cardíaco, e os distúrbios respiratórios cujo ronco é o primeiro sintoma.

A polissonografia diagnóstica ou nível I é realizada com canais múltiplos de eletroencefalograma, oculograma, eletrocardiograma, eletromiograma, além de sensores para detecção de ronco, posição corporal, detecção de eventos respiratórios, movimento torácico e abdominal e eletrodos para avaliar movimentos anômalos das pernas e braços quando necessário.

Outras variáveis podem ser adicionadas como vídeo, CO2 transcutâneo e pressão esofágica ( para avaliar o esforço respiratório). A polissonografia tipo 1 distingue eventos centrais de obstrutivos, permite o reconhecimento de alguns diagnósticos alternativos (por distúrbio do movimento periódico dos membros, parassonias REM e não REM) e pode sugerir outras distúrbios (por exemplo, narcolepsia, restrição crônica do sono devido a perturbação do ritmo circadiano ). Fornece informações sobre a fragmentação do sono e despertares que são importantes na gênese dos sintomas diurnos decorrentes de alterações eventos respiratórios.

Polissonografia Nível II

Recentemente, pela dificuldade de locais com condições ideais e pelo alto custo de manutenção para a realização do exame, novos aparelhos de polissonografia foram desenvolvidos para exames domiciliares.

As polissonografias domiciliares tem ganhado mercado nos últimos anos, e tem sido realizadas com cada vez maior precisão e definição diagnóstica. Atualmente temos vários níveis de aparelhos domiciliares para diagnóstico, sendo os níveis II, III e IV os mais utilizados.

As polissonografias de nível II são as mais semelhantes aos exames realizados no laboratório, usando quase todos os parâmetros previamente relatados para diagnóstico. A maior diferença é o número de canais para eletroencefalografia, que é menor nos aparelhos nível 2 domiciliares.

Este tipo de polissonografia consiste em um dispositivo portátil locado. Ele registra um mínimo de sete canais, incluindo EEG, EOG, EMG, ECG ou frequência cardíaca, fluxo aéreo, esforço respiratório e saturação de oxigênio. Este tipo de monitoramento permite o estadiamento do sono e consequentemente cálculo do IAH. Ele é configurado de forma a permitir os estudos em casa.

Pacientes que não são candidatos para a Polissonografia Tipo 2:

A. Fatores relacionados ao paciente:

1. Neuropsicologicos:
• déficit intelectual grave (isso também pode ser um problema para estudos do tipo 1)
• Doença neuromuscular
• Dificuldade de comunicação grave

2. Incapacidade física grave com atendimento inadequado do cuidador

3. Ambiente doméstico inadequado – vários fatores precisam ser considerados
incluindo nível de ruído, interações entre parceiros / família, distância do laboratório de sono e a segurança de qualquer equipe de atendimento

B. Fatores relacionados ao distúrbio do sono:

• Parassonias / detecção de convulsões que requerem câmera infravermelha ou EEG estendido
•Necessidade de Monitoramento de CO2 transcutâneo.
• Confirmação de vídeo sobre os aspectos posicionais

Polissonografia Nível III

Estudo do sono de canal limitado (tipo 3 e 4) têm um número mais restrito de parâmetros medidos, geralmente uma combinação de variáveis respiratórias incluindo saturação arterial de O2, esforço respiratório e fluxo aéreo. Em geral, o estadiamento do sono é omitido nestes estudos.

Estudos tipo 3 têm pelo menos 4 variáveis monitoradas: oximetria mais esforço respiratório (peito, abdômen ou ambos), fluxo de ar (nasal ou oral por pressão ou termistor), posição do corpo, movimento da mandíbula, ECG, tonometria (um marcador de controle autonômico), actigrafia e som (detecção de vibração ou gravação de som verdadeira). Tonometria também está disponível (marcador de controle autonômico e, assim, sono) como adjunto à oximetria. É necessário equipamento descartável (por exemplo, WatchPAT).

A tecnologia da tonometria arterial periférica mede a variação do volume vascular na extremidade do dedo, avaliando o tônus vascular em resposta ao sistema nervoso simpático. Dispositivos como o WatchPAT (registrado) consistem em oximetria de pulso, microfone, tonometria arterial periférica, posição e actigrafia. Tem demonstrado ser uma ferramenta muito eficiente para o diagnóstico ambulatorial da apneia obstrutiva do sono com alta acurácia para apnéia moderada a grave.

Polissonografia Nível IV

O estudo do Tipo 4 é aquele que incorpora apenas um ou dois parâmetros medidos por exemplo saturação de oxigênio, frequência cardíaca ou fluxo de ar.

Limitações da oximetria com frequência são observadas em cardiopatias e pacientes neurológicos. Outras limitações incluem falta de dados posicionais e do tempo na cama em vez do tempo real de sono. Questionários preenchidos pelo paciente e parceiro de cama em relação às estimativas de tempo de sono, posição do corpo e presença de ronco podem ajudar a complementar os dados registrados a partir de estudos do tipo 4.

Pacientes com contra-indicação aos Tipo de Polissonografia 3 e 4:

1. Populações com baixa probabilidade pré-teste de SAOS moderada a grave

2. Pacientes que relatam sintomas sugestivos de uma condição diferente do sono, respiração desordenada que exigirá monitorização mais extensiva, parassonias, narcolepsia, distúrbios periódicos dos movimentos dos membros e epilepsia noturna.

3. Pacientes com qualquer um dos seguintes casos (hipoventilação noturna ou Apnéia central do sono provável):

a. Doença neuromuscular
b. DPOC grave ou doença pulmonar restritiva
c. Hipóxia e / ou hipercapnia em repouso ou necessidade de terapia com oxigênio suplementar
d. Obesidade mórbida e / ou suspeita de síndrome de hipoventilação da obesidade
e. Doença cardiovascular significativa, isto é, hospitalização recente por IAM, angina instável, insuficiência cardíaca descompensada
f. Uso crônico de narcótico
4. Incapacidade de realizar oximetria durante a noite em ambiente não monitorado. Por exemplo doença psiquiátrica significativa ativa.

Apesar das indicações das polissonografias domiciliares terem crescido no mercado, é importante lembrar que são exames realizados sem o acompanhamento técnico do laboratório do sono, podendo ter falhas mais frequentes por perda de sensores durante o sono, aumentando o risco de repetição do exame.

Não se preocupe em identificar qual dos tipos de polissonografia é o mais indicado para o seu caso. O seu médico do sono irá determinar qual exame solicitar para diagnosticar de forma adequada o seu distúrbio do sono.

Exame de Polissonografia

Saiba Mais sobre o Exame de Polissonografia

O exame de polissonografia é o padrão ouro no diagnóstico e deve ser solicitado para todos os pacientes com suspeita da síndrome da apneia obstrutiva do sono – SAOS. Com a polissonografia positiva para apneia deve-se partir para os exames que avaliam a anatomia de cada paciente e o local de obstrução.

Continue a leitura para saber mais sobre os procedimentos realizados e as indicações do exame.

O Exame de Polissonografia

O diagnostico de apneia do sono é feito através do exame de polissonografia evidenciando um índice de apneia/hipopnéia acima de 5 em adultos e acima de 1 em crianças.

A Polissonografia (PSG) deve ser solicitada em todos os pacientes com suspeita clínica de SAOS. Tendo em vista que o diagnóstico da apneia do sono depende do exame polissonográfico, é importante que o otorrinolaringologista tenha o conhecimento básico na interpretação deste exame que vai muito além do índice de apneia/ hipopneia (IAH).

A polissonografia consiste na utilização dos seguintes dispositivos para avaliar o padrão de sono do paciente:

  • Eletroencefalograma
  • Eletro-oculograma
  • Eletromiograma
  • Eletrocardiograma
  • Termistor, termopar e cânula nasal
  • Cinta torácica e abdominal
  • Oxímetro de pulso
  • Microfone
  • Câmera

Exame de Polissonografia e Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de apneia obstrutiva do sono depende dos seguintes critérios de acordo com o ICS3 (International classification of sleep disorders):

A. Presença de um ou mais dos seguintes:
1. O paciente apresenta sonolência, sono não reparador, fadiga ou insônia
2. O paciente acorda com sufocamento, engasgos ou respiração ofegante
3. O parceiro de cama ou outros observam e relatam ronco, pausas na respiração ou os dois durante o sono do paciente.
4. O paciente tem diagnóstico de hipertensão, distúrbio de humor, distúrbio cognitivo, doença coronariana, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca congestiva, fibrilação atrial ou diabetes tipo 2

B. Polissonografia ou monitorização portátil do sono demonstrando:
1. Cinco ou mais eventos respiratórios predominantemente obstrutivos (apneias mistas, obstrutivas, hipopneias ou despertar relacionado a esforço respiratório (RERA)) por hora de sono durante a polissonografia ou teste ambulatorial portátil.

Ou

C. Polissonografia ou monitorização portátil demonstrando:
Quinze ou mais eventos predominantemente obstrutivos ( apneia, hipopneia, RERA) por hora de sono durante a polissonografia ou monitorização portátil

Para diagnóstico da apneia do sono, o paciente deve apresentar as características relacionadas aos itens A e B ou apenas relacionadas ao item C.

Tendo em vista que o diagnóstico da apneia do sono depende do exame polissonográfico, é importante que o otorrinolaringologista tenha o conhecimento básico na interpretação deste exame que vai muito além do índice de apneia/ hipopneia (IAH).

Exame de Polissonografia – Resultados no Laudo

O laudo de um estudo polissonográfico deve conter as seguintes estatísticas:

  • Tempo Total Registro –TTR –mínimo 06 horas
    Tempo Total Sono -TTS
    Eficiência (TTS/TTR): > 85% é o ideal

 

  • Tempo total acordado após início do sono

 

  • Tempo em sono NREM e REM:
    Sono NREM: 15 a 20 minutos (varia com a idade)
    Sono REM: 70 a 90 minutos

 

  • Porcentagem do TTS em cada estágio
    a. Estágio W (acordado) -< 5 % TTS
    b. Estágio N1 (NREM1) -2 a 5%
    c. Estágio N2 (NREM2) -45 a 55%
    d. Estágio N3 (NREM3) -13 a 23%
    e. Estágio R (REM) -20 a 25%

 

  • Eventos Respiratórios:
    Número de apneias, índices, saturação e classificação da SAOS em 3 níveis:

IAH-normal ou ronco primário :<5eventos por hora.
SAOS leve: IAH entre 5 e15
SAOS moderada:entre15e30.
SAOS acentuada ou grave:>30.

  • Presença de Ronco
  • Posição
  • Micro-despertares: Número e índices (Normal entre 10 e 15/hora)
  • Eventos cardíacos: Frequência, arritmias
  • Movimentos dos membros
  • PLMS, índice associado a micro-despertar
  • Alteração EEG
  • Alteração ECG
  • Comportamentos
  • Resumo com a descrição dos achados

Com a polissonografia positiva para apneia deve-se partir para os exames que avaliam a anatomia de cada paciente e o local de obstrução.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

Diagnóstico e Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

O quadro clínico da apneia obstrutiva do sono(AOS) é caracterizado pelo colapso recorrente parcial ou total das vias aéreas superiores durante a noite. As queixas mais frequentes nos pacientes adultos com AOS, comparados com não apneicos, são presença de ronco, sufocamento noturno e sonolência excessiva diurna (SED).

Veja neste artigo os fatores aos quais prestamos atenção ao avaliar um paciente com apneia do sono.

O Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

Veja a seguir os principais sintomas diurnos e noturnos relacionados à SAOS:

  • Sintomas Diurnos: Hipersonia diurna, Cansaço crônico, Transtorno de humor, Cefaleia Matutina, Depressão, ansiedade, Perda de memória, Diminuição da libido e Impotência Sexual.
  • Sintomas Noturnos: Pausas respiratórias, Roncos, Despertares bruscos com asfixia, Sono agitado, Sono não reparador, Movimentos anormais durante o sono, Noctúria e enurese, Distúrbio do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e Sialorreia ou boca seca.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Exame Físico

Em alguns pacientes a inspeção da face pode revelar a patologia como nos casos de hipotireoidismo e acromegalia. A inspeção também pode fornecer indicações quanto às anormalidades fisiológicas.

Uma hiperpigmentação na fronte, assemelhando-se à acantose nigricans, pode estar presente em pacientes portadores de apneia do sono (crianças ou adultos) que durmam sentados, com a fronte apoiada num antebraço sobre a mesa. Isto é encontrado com frequência em pacientes com apneia grave, por ser esta a única posição em que eles conseguem dormir.

Em muitos casos, a apneia do sono se evidencia ao primeiro encontro com o paciente. Por exemplo, pálpebras pendentes sugerem sonolência. Pálpebras frouxas foram associadas à apneia do sono. Sobrancelhas arqueadas podem ser um sinal de que o paciente está tentando abrir as pálpebras.

Os achados mais relevantes do exame físico nos pacientes adultos com ronco/SAOS são: obesidade, alterações sobre o esqueleto craniofacial e as alterações anatômicas sobre a via aérea superior (VAS).

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Alterações Craniofaciais e Anatômicas

As alterações craniofaciais mais relacionadas à SAOS são aquelas decorrentes da hipoplasia da maxilar e/ou mandibular, que podem ser visualizadas por exame físico e confirmadas por cefalometria.

Várias alterações anatômicas sobre a via aérea superior (VAS) são descritas em pacientes com AOS, sendo os achados mais frequentes: alterações nasais, tonsilas palatinas hiperplásicas, alterações sobre o palato mole, úvula e pilares tonsilares.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Outros Fatores

A combinação do IMC, estrutura da língua e presença de anormalidade anatômica da faringe estão relacionados com presença e gravidade da AOS.

A medida da circunferência cervical é um fator robusto de predição estatística de apneia obstrutiva, ainda que mais em homens que em mulheres. Muitos pacientes obesos com apneia do sono têm uma circunferência  cervical de pelo menos 43 cm no sexo masculino e 38 cm no sexo feminino.

Circunferência Abdominal maior que 95 cm em homens e maior que 85 cm em mulheres bem como IMC maior que 30 kgs/m² são características presentes em pacientes com SAOS.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Questionários

Uma ferramenta importante para avaliar a qualidade do sono e de vida são os questionários introduzidos recentemente na prática clínica. Como exemplo, temos a escala de sonolência de Epworth (ESE), com validação brasileira por Bertolazi, que tem grande importância na identificação de SED, auxiliando no rastreamento de pacientes com SAOS, principalmente quando associada a outros parâmetros clínicos.

Pacientes com pontuação ESE maior que 10 tem risco 2,5 vezes maior de ter AOS comparados com teste normal. O Questionário de Berlim (QB) auxilia no rastreamento de pacientes com alto risco de AOS, mas sozinho não permite diagnóstico de certeza. Apesar da prevalência de ESE>10 aumentar com a gravidade da AOS, menos de 50% dos pacientes com SAOS moderada a grave apresentam ESE maior que 10.

O questionário STOP-Bang identifica os pacientes com alto risco para SAOS e apresenta maior validade metodológica, com precisão razoável e recursos fáceis de usar. Tem validação na língua portuguesa. Consiste em oito questões envolvendo ronco, cansaço, fadiga, sonolência, IMC, pressão arterial, idade, circunferência cervical e gênero.

O FOSQ-10 é um questionário ainda sem validação na língua portuguesa, auto-administrado e específico para avaliar o impacto da sonolência excessiva nas atividades diárias. Diversos estudos recentes demonstram ser mais uma excelente ferramenta para triagem da SAOS.

O sucesso do tratamento depende de uma avaliação inicial minuciosa, ajudando a prever o sucesso das cirurgias palatais a partir destes fatores observados durante o exame clínico.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

Exames para Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

O diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) deve se iniciar com uma cuidadosa anamnese. É comum que os pacientes venham à consulta com o parceiro: quem alerta sobre o problema do ronco e/ou apneia e não é incomum trazerem vídeos ou gravações do ronco do paciente.

Veja neste artigo informações sobre os principais exames realizados para o diagnóstico e como os avanços na tecnologia podem ajudar neste processo.

O Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

A avaliação clínica inicia-se com perguntas ao paciente sobre a qualidade do sono, qualidade de vida, hábitos alimentares, estilo de vida, atividade física e rendimento laboral. Todas essas informações são importantes para a avaliação inicial e deve ser sempre levado em conta no diagnóstico da SAOS.

Diversos questionários para a SAOS tem sido utilizados como o Berlim e Epworth que sugerem a presença da apneia do sono e da sonolência excessiva diurna. Recentemente aplicativos de smartphones tem sido usados como uma ferramenta de fácil acesso porem ainda faltam estudos comprovando a sua real eficácia.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – A Polissonografia

O diagnostico de apneia do sono é feito através do exame de polissonografia evidenciando um índice de apneia/hipopnéia acima de 5 em adultos e acima de 1 em crianças.

O exame de polissonografia é o padrão ouro no diagnóstico e deve ser solicitado para todos os pacientes com suspeita da SAOS. Com a polissonografia positiva para apneia deve-se partir para os exames que avaliam a anatomia de cada paciente e o local de obstrução.

O diagnóstico do local exato de obstrução é um desafio e diversos exames têm sido desenvolvidos para avaliar a via aérea para o tratamento mais adequado possível, individualizando cada caso.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – A Sonoendoscopia

A precisão da avaliação diagnóstica para classificar o local de obstrução das vias aéreas superiores melhorou muito com a introdução da Sonoendoscopia, na qual o otorrinolaringologista pode propor estratégias terapêuticas adaptadas para os diferentes tipos de colapso. O objetivo é sempre individualizar cada paciente e propor um tratamento com alternativas ao CPAP, como procedimentos cirúrgicos ou outros dispositivos.

A sonoendoscopia deve ser realizada em pacientes selecionados que necessitem de uma melhor avaliação dinâmica da patência da via aérea. Está indicada em pacientes com dificuldade de aderência ao CPAP, pacientes que já foram submetidos a procedimento cirúrgico e apresentam sintomas residuais da SAOS. Pacientes candidatos ao uso de aparelho intraoral e mais recentemente para a titulação do CPAP também possuem indicação para o exame.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – Outros Exames

A Nasofibrolaringoscopia é um exame realizado pelos otorrinolaringologistas como uma ferramenta para avaliar o sítio de obstrução da SAOS. A avaliação da cavidade nasal a partir da válvula nasal, septo nasal, cornetos inferiores e médios é de vital importância para diagnosticar o estreitamento das fossas nasais a passagem do ar.

A cefalometria não está necessariamente indicada em todos os pacientes com SAOS, porém naqueles pacientes cujo exame físico apresenta indícios de desproporção ortognática, ou ainda, pacientes com apneia grave com indicação de cirurgia craniofacial, este exame é necessário.

Exames de Imagem, como tomografia computadorizada e a ressonância magnética, permitem-nos uma excelente avaliação nos diversos planos anatômicos ( axial, coronal e sagital) do local do eventual sítio de obstrução, permitindo uma melhor abordagem cirúrgica.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – Aplicativos

Recentemente com a introdução dos smartphones em nossa rotina diária, surgiram alguns aplicativos para acompanhar e medir o ronco e a noite de sono. Estes aplicativos foram projetados para gravar o ronco, medir os horários, intensidade e duração do ronco, e até mesmo permitirem a documentação do posicionamento durante o sono.

É comum que alguns pacientes venham à consulta com arquivo de áudio ou vídeo que comprova o ronco. Até o momento, existe um numero restrito de publicações sobre o assunto. Programadores de software desenvolveram uma série de aplicativos que muitas vezes tem mínima participação do médico especialista.

Uma recente revisão nos aplicativos de ronco demonstrou que esta ferramenta é muito útil e de extrema aplicabilidade na rotina clinica para avaliação e acompanhamento do paciente. O recurso mais importante é a capacidade de exibir graficamente os eventos durante a noite.

Em comparação com dados polissonográficos os aplicativos demonstram excelentes valores preditivos positivos para os aplicativos e podem fornecer indícios da necessidade de uma melhor investigação, com exame clínico e procedimentos diagnósticos.

Tratamento da Apneia do Sono

Atuação do Otorrinolaringologista no Tratamento da Apneia do Sono

 

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados. Com a leitura deste artigo, saiba mais sobre a atuação do médico otorrino no tratamento da apneia do sono.

A Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente, como o ultimo da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Apesar da grande evolução no diagnóstico e tratamento da SAHOS, ainda ouvimos afirmações, inclusive de otorrinolaringologistas, de que a apneia não tem cura. Isto se deve também a uma visão limitada do profissional não habilitado a intervenções sobre a base da língua e o esqueleto facial.

Por outro lado, não devemos nos colocar somente como cirurgiões. Ao ORL compete, além dos tratamentos cirúrgicos, saber orientar antes de mais nada sobre as opções não cirúrgicas aos seus pacientes, sejam terapias comportamentais, de adaptação de CPAPs ou aparelhos intra-orais.

A Medicina do Sono é hoje uma realidade dentro da Otorrinolaringologia e deve fazer parte de nosso trabalho clínico e cirúrgico. Nossos programas de residência médica e de educação médica continuada devem reforçar seus interesses e tópicos sobre Medicina do Sono.

Tratamento da Apneia do Sono – Otimizando a Atuação da Otorrinolaringologia

Seguindo as próprias premissas da Academia Americana de Otorrinolaringologia, a ABORL-CCF está incrementando esforços no sentido de mostrar a importância do Otorrinolaringologista no tratamento do mais importante distúrbio do sono, a apneia obstrutiva, enfatizando:

1 – um melhor currículo sobre Medicina do Sono em nossos programas de residência, com um maior número de tópicos sobre o tema em nossos cursos de educação continuada e congressos;

2 – divulgação das evidências dos benefícios dos tratamentos otorrinolaringológicos para a apneia obstrutiva do sono;

3 – definição da apneia obstrutiva do sono como um distúrbio da via aérea superior (VAS), área de domínio da ORL, sendo o Otorrinolaringologista o único especialista habilitado a examinar a VAS e treinado para realizar mudanças anatômicas nesta região;

4 – promoção perante a mídia, com informações sobre o importante papel do ORL no tratamento da apneia obstrutiva do sono, pois vemos divulgações frequentes nas áreas de comunicação de especialistas do sono nas quais os ORL são indevidamente excluídos.

Diante de uma realidade em que se procurava distanciar o ORL desta área de distúrbios respiratórios sono-dependentes, acreditamos que, com estas ações, podemos conscientizar a nossa Sociedade e chamar a atenção de todos os profissionais que trabalham na Medicina do Sono para o relevante papel do Otorrinolaringologista na avaliação e tratamento desta complexa síndrome.

Artigo Publicado em: 24 de julho de 2017 e Atualizado em 13 de fevereiro de 2019

Apneia do Sono em Crianças

Apneia do Sono em Crianças e Distúrbios de Aprendizagem

A apneia do sono em crianças tem impacto negativo no desempenho e no comportamento escolar, pois pode afetar a atenção, memória, estruturação espacial e ansiedade.

Veja neste artigo mais informações sobre a influência da apneia do sono no desempenho escolar.

Apneia do Sono em Crianças

A apneia do sono na infância é um distúrbio respiratório relacionado ao sono que se caracteriza por uma obstrução intermitente parcial ou completa das vias aéreas superiores que interrompe o sono e seus padrões normais. A apneia do sono em crianças tem características muito diferentes da apneia do sono no adulto em termos de sua etiologia, sintomas e tratamento.

É uma patologia muito prevalente em crianças, pois estima-se que entre 2% e 4% das crianças entre 2 e 6 anos sofrem desta síndrome. O percentual de crianças que ronca é ainda maior, já que de 7 a 16,7% das crianças de 6 meses a 13 anos e de 5 a 14,8% dos adolescentes apresentam ronco.

Apneia do Sono em Crianças – Fatores de Risco

Na infância, os fatores de risco ou algumas das causas que podem favorecer o desenvolvimento da SAOS são os amígdalas grande (hipertrofia tonsilar) , têm adenoides nasais (adenoides) , as malformações craniofaciais , doenças neurológicas, neuromuscular, paralisia cerebral infantil, refluxo gastroesofágico e obesidade, um fator de risco que está em ascensão.

Apneia do Sono em Crianças e Transtornos de Aprendizagem

A atenção direta está alterada em 45,5% das crianças com apneia do sono. A hiperatividade está presente em 30,8% dos casos e o déficit de atenção em 53,8%, de acordo com o Documento de Consenso da síndrome da apneia e hipopneia durante o sono em crianças, publicadas no periódico Archivos de Bronconeumología, a revista científica da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SEPAR).

De fato, a comorbidade dos distúrbios respiratórios relacionados ao sono e do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é estimada em 23%, de acordo com esse documento.

Estudos sobre Apneia do Sono em Crianças e Transtornos de Aprendizagem

Quase metade das crianças com apneia do sono apresentam problemas comportamentais. Uma metanálise de 61 estudos, citada no documento de consenso, mostrou que crianças com esse transtorno apresentam problemas no comportamento escolar, na regulação emocional, na atenção seletiva, na atenção sustentada e na manutenção do estado de alerta. Evidências também têm sido vistas de que o distúrbio respiratório afeta o humor, a expressão linguística, a percepção visual e a memória de trabalho.

Outra meta-análise de 55 estudos, também citada no documento de consenso, descobriu que a hipóxia, seja crônica ou intermitente, também tem um impacto negativo no comportamento e desempenho escolar. Na verdade, outro grande estudo realizado em 1.010 roncadores e não roncadores crianças, com idades entre 5 e 7 anos de escolas públicas pela Universidade de Chicago e da Universidade de Louisville e publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, analisou as repercussões da apneia obstrutiva de acordo com sua gravidade, de moderada a grave.

O estudo concluiu que esta síndrome pode causar deterioração cognitiva, observando que apenas o fato de roncar já afeta as funções neurocognitivas. Mas nos casos mais graves, o fato de as crianças não desenvolverem bem suas habilidades, uma conclusão que tem sido demonstrada por várias medidas cognitivas tomadas para crianças e que foram classificadas de acordo com a gravidade do seu distúrbio respiratório do sono, poderia ter um impacto adverso sobre a capacidade dessas crianças não apenas para alcançar seus objetivos acadêmicos, mas também adaptativas e pode dificultar sua capacidade de alcançar a independência.

Apneia do Sono em Crianças e as Consequências Negativas para o Organismo

A falta de sono, o sono não reparador e a hipóxia – ou falta de oxigênio no cérebro devido à obstrução das vias aéreas em crianças com distúrbio respiratório do sono – apresentam consequências negativas para o organismo.

Foi totalmente demonstrado que o distúrbio pode causar problemas de aprendizagem, com diminuição do desempenho escolar. Por isso, é de extrema importância procurar o atendimento de um médico do sono ao observar episódios de ronco e/ou apneia do sono em seu filho.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono: Discussão

Veja nesta página, a discussão do estudo: “Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono“, publicado online em 10 de março 2016 no periódico International Archives of Otorhinolaryngology.

Comorbidades Associadas à Apneia Obstrutiva do Sono – Discussão

A importância da AOS e suas comorbidades associadas na otorrinolaringologia tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Presente entre as principais queixas em clínicas especializadas, esta doença provoca inflamação crônica e diminuição da qualidade de vida.

Sobrepeso

A prevalência de AOS está fortemente associada ao sobrepeso e à obesidade em estudos transversais e clínicos. A obesidade é conhecida por ser uma causa de AOS e é provável que seja uma consequência da mesma. Essa complexidade torna especialmente difícil interpretar a relação entre as duas condições e entre a AOS e sua relação com doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos. Em uma amostra aleatória de pacientes de meia-idade, tirada de um estudo de coorte de Wisconsin, o aumento de 1 ponto no desvio padrão da obesidade foi associado a um aumento de 4 vezes o risco de apneia do sono.

Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2012, com retrospectiva de seis anos, o percentual de obesos aumentou de 11,6% para 17,4%. No presente estudo, a prevalência de obesidade em pacientes com AOS foi de 32%, quase o dobro da população geral. Além disso, foi a única comorbidade que obteve valor significativo (p ?<0,05) confirmando a relação direta de sua prevalência com AOS e correlacionando-se diretamente com a gravidade.

Hipertensão Arterial

Estudos clínicos anteriores indicam que a AOS pode estar associada à hipertensão e 50% dos pacientes acabam tendo as duas patologias associadas. Vários estudos transversais sugerem uma associação independente entre AOS e hipertensão. Achados discrepantes foram observados no Sleep Heart Health Study, um estudo prospectivo de coorte para monitorar o desfecho cardiovascular em pacientes diagnosticados com distúrbios do sono. O valor de p para hipertensão foi significativo com o aumento do IAH, no entanto, essa relação foi atenuada e não foi significativa após uma correlação com o IMC, sugerindo que grande parte da relação entre IAH e hipertensão resultou da obesidade.

Em relação à hipertensão arterial, os dados mais recentes no Brasil, de 2012, mostraram que a prevalência média de hipertensão na população brasileira foi de 24,3%. Em nosso estudo, 39% dos pacientes tinham hipertensão, uma taxa maior do que a população geral e uma taxa maior do que a porcentagem geral para pacientes obesos, no entanto, não houve valor significativo de correlação entre AOS e hipertensão.

Uma explicação para esses resultados é que a maior diferença entre as proporções da variável hipertensão foi de 25,0% (leve IAH) versus 46,0% (grave IAH); uma diferença de 21% não é suficiente para observar uma diferença estatisticamente significante, enquanto a variável obesidade produziu uma diferença de 25,4%, suficiente para produzir uma diferença estatisticamente significante. Em um estudo em que um dos grupos tem um N reduzido (IAH leve, N = 16), as diferenças entre os valores devem ser maiores para observar a significância estatística.

Sintomas Psiquiátricos

Os sintomas psiquiátricos ou distúrbios associados à AOS incluem depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, entre outros. Parecem ser mais comuns e mais graves em mulheres com AOS do que em homens. Os sintomas da depressão, embora prevalentes na AOS, não se correlacionam com a gravidade. Em nosso estudo, encontramos 19% de pacientes com sintomas depressivos usando medicação, sem diferenças significativas entre os valores de IAH.

Vários autores avaliaram a possível associação entre DRGE e AOS. No entanto, apenas um único estudo confirmou a relação direta entre as duas doenças. Em nosso estudo, 18% dos pacientes com AOS foram diagnosticados com DRGE, sem correlação com a gravidade da apneia.

Diabetes

A associação entre AOS e DM tipo II é reconhecida. Estudos transversais sugerem que até 30% dos pacientes com OSA tem DM tipo II e até 86% de pacientes obesos com DM tipo II têm OSA. No entanto, devido à presença de variáveis, especialmente a obesidade, a pesquisa não demonstrou uma relação causal direta entre AOS e alterações no metabolismo da glicose. Quinze por cento de nossos pacientes apresentavam DM associada à AOS, sem evidência de correlação entre o IAH e o DM tipo II.

Hipercolesterolemia

Dados do Sleep Heart Health Study indicaram que os níveis de colesterol total foram associados a valores de IAH, após correlação com a idade e o IMC. A maioria dos outros estudos clínicos que discutem a relação entre AOS e dislipidemia tem um número reduzido de participantes; no entanto, ao comparar estudos de valores de dislipidemia com indivíduos sem AOS, esses estudos mostraram um aumento das anormalidades lipídicas em pacientes com AOS.

O IAH foi o principal determinante para a disfunção do colesterol. Essas observações sugerem que o colesterol tende a ser alterado em pacientes com AOS e contribui em parte para aumentar o risco cardiovascular. Em nosso estudo, 10% de todos os pacientes apresentavam hipercolesterolemia e todos apresentavam IAH moderado ou grave, sugerindo uma correlação entre IAH e hipercolesterolemia, embora não tenha sido encontrado valor de significância estatística.

Doenças Respiratórias

Várias publicações discutiram a relação entre asma e AOS. Salles et al relataram que a AOS é prevalente em pacientes com asma e está associada à gravidade da doença. A asma está associada à inflamação aguda e crônica que afeta os músculos respiratórios, incluindo os dilatadores das vias aéreas superiores.

O mecanismo biológico que correlaciona a asma à AOS seria o fato de que a inflamação das vias aéreas superiores causada pela asma facilitaria o colapso dos músculos favorecendo a AOS. O Programa Nacional de Educação e Prevenção da Asma recomenda o rastreamento da AOS em pacientes com asma porque o tratamento da AOS mostrou-se eficaz na melhora dos sintomas da asma.

Em nosso estudo, apenas 4% dos pacientes tinham asma associada à AOS, embora não apresentassem valores expressivos; apenas pacientes com apneia grave tinham asma associada.

Limitações para o Estudo

Existem limitações para este estudo. O primeiro é devido a uma amostra modesta de pacientes ( n ?= 100), segundo, não dependemos de um grupo controle sem AOS e correlacionamos com comorbidades associadas.

Identificamos uma relação estatisticamente significante entre AOS e obesidade, observando que a obesidade é mais prevalente quanto maior o IAH. Em relação a outras comorbidades, não conseguimos obter valores estatisticamente significantes, porém uma maior porcentagem de pacientes com comorbidades associadas tem um alto IAH.

Com base nos dados obtidos em nosso trabalho e na literatura atual, podemos correlacionar alguns aspectos entre a AOS e as comorbidades associadas, no entanto, pesquisas adicionais sobre esse tema podem ser capazes de revelar correlações mais óbvias entre as patologias.

Conclusão

A relação causal da OEA com as comorbidades associadas ganhou notoriedade na literatura com o surgimento de estudos prospectivos utilizando polissonografia em grande número de pacientes. Os dados atuais apoiam a AOS como um fator de risco independente para o surgimento de comorbidades. Pacientes com fatores de risco para apneia do sono devem ser devidamente investigados, uma vez que a falha na identificação do distúrbio do sono pode contribuir para a falha terapêutica no tratamento das comorbidades.

Com base nos dados da literatura atual e nos valores encontrados em nosso trabalho, podemos correlacionar com valores de obesidade de significância com AOS e seus valores de IAH; no entanto, apesar da prevalência significativa de AOS com outras comorbidades, não podemos confiar em valores significativos em nosso estudo para justificar suas correlações.

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Tratamento da SRVAS

Muitos pacientes com SRVAS permanecem sem tratamento após a avaliação inicial. A piora dos sintomas de insônia, fadiga e depressão são descritos em sua ausência. Para saber mais sobre o tratamento da SRVAS e como ele pode melhorar a qualidade de vida do paciente, continue a leitura deste artigo.

O Tratamento da SRVAS

As opções de tratamento para todas as desordens respiratórias do sono se distribuem em quatro categorias gerais: modificações no estilo de vida, cirurgia, aparelhos intraorais e pressão positiva contínua em vias aéreas – CPAP.

O tratamento requer consideração individual em cada caso. Todas as formas de tratamento devem ser discutidas com o paciente quanto a riscos e benefícios envolvidos. Quando a cirurgia é considerada, a possibilidade de redução do ronco ou eliminação dos sintomas deve ser esclarecida para redução de possível expectativa distorcida do paciente.

Uma vez iniciado o tratamento, é fundamental que se registrem os resultados da intervenção de formas tanto subjetiva por meio de questionários, como objetivamente, pela polissonografia.

Perda de Peso

É clinicamente observado que a perda de peso melhora o ronco. Em geral, não é possível predizer quanto peso é necessário perder para abolir os sintomas, mas a redução de peso deve ser a primeira recomendação dada aos roncadores, independentemente da associação de outros métodos de tratamento. Medicações são necessárias para o tratamento de alergia e congestão nasal que, marcadamente, aumentam a resistência nasal e com isso elevam o número de despertares, dificultando a adaptação de CPAP.

Terapia Posicional

A terapia posicional é recomendada, já que o decúbito supino favorece os eventos respiratórios. Investigações indicam que o ronco e apneia dependem da posição em até metade dos pacientes. Aparelhos intraorais são uma opção prática, segura, pouco invasiva, bem tolerada e efetiva em casos selecionados de pacientes com SRVAS. Dados indicam 40% de melhora objetiva e 70% de satisfação subjetiva.

Dilatadores Nasais

Dilatadores nasais comprovadamente reduzem a resistência nasal em pacientes com colapso de válvula nasal e assim ajudam na adaptação de CPAP, que é amplamente usado como primeira escolha no tratamento e também é indicado como teste terapêutico para demonstrar a melhora dos sintomas do paciente.

Adicionar terapia cognitiva comportamental, associada ao CPAP, parece beneficiar pacientes com sintomas de insônia ou psicossomáticos secundários à SRVAS.

Procedimentos Cirúrgicos

Procedimentos cirúrgicos são uma atraente alternativa de tratamento já que oferecem possibilidade de cura rápida, sem necessidade de modificação do estilo de vida ou uso de aparelhos. Al alternativas envolvem operação de nariz, faringe, língua, maxila e mandíbula, além de ferramentas como laser e radiofrequência.

Septoplastia e redução de cornetos hipertrofiados com radiofrequência podem tratar esses pacientes de forma efetiva, porém as anormalidades anatômicas desses pacientes frequentemente envolvem tecido mole de palato e estruturas ósseas de maxila e mandíbula.

A disjunção maxilar está indicada a casos selecionados de deficiência transversal da maxila e palato ogival. Esta técnica pode ser realizada por via nasal concomitante à septoplastia e turbinoplastia, cujos resultados são satisfatórios e comprovados com rinomanometria. A disjunção maxilar associa-se, via de regra, à osteotomia Le Fort I com avanço maxilar e piriformeplastia.

Pode-se observar que o tratamento do nariz possui destaque nas técnicas mencionadas, sendo perfeitamente viável através das osteotomias maxilares. Representa um dos fatores mais significativos na diminuição da resistência respiratória, aumento da estabilidade dos resultados e melhora na aderência à terapia com CPAP nos casos de falha do tratamento cirúrgico primário.

A distração osteogênica de mandíbula tem sido referida como parte do tratamento cirúrgico de pacientes com micrognatia, principalmente em crianças portadoras da sequência de Robin. Tratamento ortodôntico, tal como distração rápida maxilar, é realizado predominantemente em crianças, em adultos é necessária a incisão óssea da maxila e/ou da mandíbula e uso de distratores. A distração osteogênica para pacientes com distúrbios respiratórios do sono tem mostrado melhora clínica significativa.

Desde 1995, Pinto e Colombini utilizam como protocolo o avanço maxilomandibular associado à glossectomia de linha média com laser de CO2 objetivando a otimização dos resultados de pacientes selecionados. Dessa forma, os avanços se tornaram mais estáveis com melhora acentuada do ronco e da sonolência excessiva diurna.

Considerações Finais

Um estudo completo dos sinais e sintomas, seguido de polissonografia, é necessário para avaliação do paciente com SRVAS. Este é um distúrbio de alta prevalência e pode estar associado a sintomas diurnos por vezes incapacitantes. Assim, quanto mais familiarizados os médicos estiverem com sua apresentação clínica, melhor e mais acurado será o diagnóstico. O tratamento é capaz de melhorar de forma significativa os sintomas e deve ser iniciado precocemente, evitando as comorbidades da doença.

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