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Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

Diagnóstico e Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

O quadro clínico da apneia obstrutiva do sono(AOS) é caracterizado pelo colapso recorrente parcial ou total das vias aéreas superiores durante a noite. As queixas mais frequentes nos pacientes adultos com AOS, comparados com não apneicos, são presença de ronco, sufocamento noturno e sonolência excessiva diurna (SED).

Veja neste artigo os fatores aos quais prestamos atenção ao avaliar um paciente com apneia do sono.

O Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono

Veja a seguir os principais sintomas diurnos e noturnos relacionados à SAOS:

  • Sintomas Diurnos: Hipersonia diurna, Cansaço crônico, Transtorno de humor, Cefaleia Matutina, Depressão, ansiedade, Perda de memória, Diminuição da libido e Impotência Sexual.
  • Sintomas Noturnos: Pausas respiratórias, Roncos, Despertares bruscos com asfixia, Sono agitado, Sono não reparador, Movimentos anormais durante o sono, Noctúria e enurese, Distúrbio do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e Sialorreia ou boca seca.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Exame Físico

Em alguns pacientes a inspeção da face pode revelar a patologia como nos casos de hipotireoidismo e acromegalia. A inspeção também pode fornecer indicações quanto às anormalidades fisiológicas.

Uma hiperpigmentação na fronte, assemelhando-se à acantose nigricans, pode estar presente em pacientes portadores de apneia do sono (crianças ou adultos) que durmam sentados, com a fronte apoiada num antebraço sobre a mesa. Isto é encontrado com frequência em pacientes com apneia grave, por ser esta a única posição em que eles conseguem dormir.

Em muitos casos, a apneia do sono se evidencia ao primeiro encontro com o paciente. Por exemplo, pálpebras pendentes sugerem sonolência. Pálpebras frouxas foram associadas à apneia do sono. Sobrancelhas arqueadas podem ser um sinal de que o paciente está tentando abrir as pálpebras.

Os achados mais relevantes do exame físico nos pacientes adultos com ronco/SAOS são: obesidade, alterações sobre o esqueleto craniofacial e as alterações anatômicas sobre a via aérea superior (VAS).

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Alterações Craniofaciais e Anatômicas

As alterações craniofaciais mais relacionadas à SAOS são aquelas decorrentes da hipoplasia da maxilar e/ou mandibular, que podem ser visualizadas por exame físico e confirmadas por cefalometria.

Várias alterações anatômicas sobre a via aérea superior (VAS) são descritas em pacientes com AOS, sendo os achados mais frequentes: alterações nasais, tonsilas palatinas hiperplásicas, alterações sobre o palato mole, úvula e pilares tonsilares.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Outros Fatores

A combinação do IMC, estrutura da língua e presença de anormalidade anatômica da faringe estão relacionados com presença e gravidade da AOS.

A medida da circunferência cervical é um fator robusto de predição estatística de apneia obstrutiva, ainda que mais em homens que em mulheres. Muitos pacientes obesos com apneia do sono têm uma circunferência  cervical de pelo menos 43 cm no sexo masculino e 38 cm no sexo feminino.

Circunferência Abdominal maior que 95 cm em homens e maior que 85 cm em mulheres bem como IMC maior que 30 kgs/m² são características presentes em pacientes com SAOS.

Quadro Clínico da Apneia Obstrutiva do Sono – Questionários

Uma ferramenta importante para avaliar a qualidade do sono e de vida são os questionários introduzidos recentemente na prática clínica. Como exemplo, temos a escala de sonolência de Epworth (ESE), com validação brasileira por Bertolazi, que tem grande importância na identificação de SED, auxiliando no rastreamento de pacientes com SAOS, principalmente quando associada a outros parâmetros clínicos.

Pacientes com pontuação ESE maior que 10 tem risco 2,5 vezes maior de ter AOS comparados com teste normal. O Questionário de Berlim (QB) auxilia no rastreamento de pacientes com alto risco de AOS, mas sozinho não permite diagnóstico de certeza. Apesar da prevalência de ESE>10 aumentar com a gravidade da AOS, menos de 50% dos pacientes com SAOS moderada a grave apresentam ESE maior que 10.

O questionário STOP-Bang identifica os pacientes com alto risco para SAOS e apresenta maior validade metodológica, com precisão razoável e recursos fáceis de usar. Tem validação na língua portuguesa. Consiste em oito questões envolvendo ronco, cansaço, fadiga, sonolência, IMC, pressão arterial, idade, circunferência cervical e gênero.

O FOSQ-10 é um questionário ainda sem validação na língua portuguesa, auto-administrado e específico para avaliar o impacto da sonolência excessiva nas atividades diárias. Diversos estudos recentes demonstram ser mais uma excelente ferramenta para triagem da SAOS.

O sucesso do tratamento depende de uma avaliação inicial minuciosa, ajudando a prever o sucesso das cirurgias palatais a partir destes fatores observados durante o exame clínico.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

Exames para Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

O diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) deve se iniciar com uma cuidadosa anamnese. É comum que os pacientes venham à consulta com o parceiro: quem alerta sobre o problema do ronco e/ou apneia e não é incomum trazerem vídeos ou gravações do ronco do paciente.

Veja neste artigo informações sobre os principais exames realizados para o diagnóstico e como os avanços na tecnologia podem ajudar neste processo.

O Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono

A avaliação clínica inicia-se com perguntas ao paciente sobre a qualidade do sono, qualidade de vida, hábitos alimentares, estilo de vida, atividade física e rendimento laboral. Todas essas informações são importantes para a avaliação inicial e deve ser sempre levado em conta no diagnóstico da SAOS.

Diversos questionários para a SAOS tem sido utilizados como o Berlim e Epworth que sugerem a presença da apneia do sono e da sonolência excessiva diurna. Recentemente aplicativos de smartphones tem sido usados como uma ferramenta de fácil acesso porem ainda faltam estudos comprovando a sua real eficácia.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – A Polissonografia

O diagnostico de apneia do sono é feito através do exame de polissonografia evidenciando um índice de apneia/hipopnéia acima de 5 em adultos e acima de 1 em crianças.

O exame de polissonografia é o padrão ouro no diagnóstico e deve ser solicitado para todos os pacientes com suspeita da SAOS. Com a polissonografia positiva para apneia deve-se partir para os exames que avaliam a anatomia de cada paciente e o local de obstrução.

O diagnóstico do local exato de obstrução é um desafio e diversos exames têm sido desenvolvidos para avaliar a via aérea para o tratamento mais adequado possível, individualizando cada caso.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – A Sonoendoscopia

A precisão da avaliação diagnóstica para classificar o local de obstrução das vias aéreas superiores melhorou muito com a introdução da Sonoendoscopia, na qual o otorrinolaringologista pode propor estratégias terapêuticas adaptadas para os diferentes tipos de colapso. O objetivo é sempre individualizar cada paciente e propor um tratamento com alternativas ao CPAP, como procedimentos cirúrgicos ou outros dispositivos.

A sonoendoscopia deve ser realizada em pacientes selecionados que necessitem de uma melhor avaliação dinâmica da patência da via aérea. Está indicada em pacientes com dificuldade de aderência ao CPAP, pacientes que já foram submetidos a procedimento cirúrgico e apresentam sintomas residuais da SAOS. Pacientes candidatos ao uso de aparelho intraoral e mais recentemente para a titulação do CPAP também possuem indicação para o exame.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – Outros Exames

A Nasofibrolaringoscopia é um exame realizado pelos otorrinolaringologistas como uma ferramenta para avaliar o sítio de obstrução da SAOS. A avaliação da cavidade nasal a partir da válvula nasal, septo nasal, cornetos inferiores e médios é de vital importância para diagnosticar o estreitamento das fossas nasais a passagem do ar.

A cefalometria não está necessariamente indicada em todos os pacientes com SAOS, porém naqueles pacientes cujo exame físico apresenta indícios de desproporção ortognática, ou ainda, pacientes com apneia grave com indicação de cirurgia craniofacial, este exame é necessário.

Exames de Imagem, como tomografia computadorizada e a ressonância magnética, permitem-nos uma excelente avaliação nos diversos planos anatômicos ( axial, coronal e sagital) do local do eventual sítio de obstrução, permitindo uma melhor abordagem cirúrgica.

Diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono – Aplicativos

Recentemente com a introdução dos smartphones em nossa rotina diária, surgiram alguns aplicativos para acompanhar e medir o ronco e a noite de sono. Estes aplicativos foram projetados para gravar o ronco, medir os horários, intensidade e duração do ronco, e até mesmo permitirem a documentação do posicionamento durante o sono.

É comum que alguns pacientes venham à consulta com arquivo de áudio ou vídeo que comprova o ronco. Até o momento, existe um numero restrito de publicações sobre o assunto. Programadores de software desenvolveram uma série de aplicativos que muitas vezes tem mínima participação do médico especialista.

Uma recente revisão nos aplicativos de ronco demonstrou que esta ferramenta é muito útil e de extrema aplicabilidade na rotina clinica para avaliação e acompanhamento do paciente. O recurso mais importante é a capacidade de exibir graficamente os eventos durante a noite.

Em comparação com dados polissonográficos os aplicativos demonstram excelentes valores preditivos positivos para os aplicativos e podem fornecer indícios da necessidade de uma melhor investigação, com exame clínico e procedimentos diagnósticos.

lavagem nasal

Como fazer a lavagem nasal?

Uma pergunta frequente do paciente no consultório é como fazer a lavagem nasal e para que serve este procedimento. Assim, elaboramos este artigo, para explicar a você alguns detalhes importantes sobre este assunto. Acompanhe.

Como fazer a lavagem nasal

A Importância da Lavagem Nasal

Dentro do nariz temos os cílios que servem para circular e mover o muco nasal naturalmente. Quando utilizamos o soro fisiológico no nariz auxiliamos o batimento desses cílios e o muco se torna mais fluido. Desta forma o excesso de muco é retirado e há uma melhor circulação dentro do nariz, evitando assim acúmulo de impurezas que podem causar problemas como sinusite e resfriados.

A Escolha do Soro Fisiológico

A lavagem nasal deve ser feita com soro fisiológico a 0,9%. Nas farmácias existem vários tipos de sprays nasais prontos para realizar a lavagem nasal. Estudos recentes têm demonstrado que para uma lavagem nasal mais efetiva é necessário alta pressão e grande quantidade de soro fisiológico, portanto, o spray do tipo jato continuo é o mais efetivo para essa função.

Passo a Passo de Como Fazer a Lavagem Nasal

Deve-se colocar o spray no interior do nariz e aperta-lo durante 5 segundos nas duas narinas. O soro irá escorrer pela garganta e voltar pelo nariz. Não tem problema, só basta assoar o nariz devagar e cuspir o excesso.

Recentemente alguns vídeos na internet tem circulado com crianças fazendo a lavagem nasal com auxilio de uma seringa. Pode ser feito também, mas deve-se lembrar que crianças muito pequenas, antes dos 3 anos de idade podem se engasgar, ou ter problemas de otite quando o procedimento é realizado dessa forma.

Então para os pequenos o ideal é o spray nasal vendido em farmácias.  Para os adultos, no entanto, pode se fazer a lavagem com seringa de 60 ml.

Cuidados que Devem Ser Tomados

Lembrar sempre que o soro fisiológico perde as suas propriedades e pH apos aberto, então o ideal é comprar frascos menores e armazená-los em geladeira.

O habito de lavagem nasal com água e sal não é recomendado, pois pode irritar ainda mais a mucosa nasal dependendo da quantidade de sal que é colocada na água.

rinite ou sinusite

Eu Tenho Rinite ou Sinusite, Doutor?

Uma das perguntas mais frequentes nos consultórios de otorrinolaringologistas no outono e inverno, é a diferença entre rinite ou sinusite. Como este assunto causa muita polêmica, vamos tirar a sua dúvida neste artigo. Acompanhe!

Rinite ou Sinusite

A rinite e a sinusite, na maioria das vezes, estão presentes ao mesmo tempo no paciente. Por este motivo, atualmente usamos a palavra Rinossinusite para designar estas condições.

A rinite consiste numa inflamação da mucosa nasal. Esta pode ser causada por alergia ou não, sendo que o paciente apresenta como principais sintomas: nariz entupido, coriza, coceira e espirros. Além disso, pode ocorrer dor de cabeça, especialmente na região frontal.

Já a sinusite é uma infecção desta mucosa, causada por vírus ou bactérias. Como toda infecção, a sinusite gera sintomas como febre, dor de cabeça muito intensa, secreção nasal amarelada ou esverdeada, nariz entupido , halitose, tosse e dor de garganta.

Sintomas da Rinite e Sinusite

Como vimos, alguns sintomas da rinite e da sinusite são parecidos. Isso acontece, pois a pessoa que tem sinusite quase sempre também possui rinite. É difícil ocorrer de estas duas condições não estarem ligadas. E quase sempre uma pode ser consequência da outra.

Sempre que uma pessoa apresenta esses sintomas que indicamos acima, deve procurar o médico otorrino.  É apenas este especialista que está apto a diagnosticar qual o real problema e suas causas, para indicar a melhor forma de tratamento.

Diagnóstico da Rinite ou Sinusite

O diagnóstico destas doenças é sempre clínico. Isto quer dizer que, durante a consulta, o otorrino realiza um exame médico detalhado do paciente. Em alguns casos, pode ser necessária a realização de exames endoscópicos, laboratoriais ou de imagem para confirmar a patologia.

Prevenção da Rinite ou Sinusite

Veja a seguir algumas dicas que você pode colocar em prática, para evitar a rinite e sinusite:

  • Ingerir em média 3 litros de água diariamente;
  • Realizar lavagem nasal, com soro fisiológico a 0,9%, ao menos 3 vezes por dia;
  • Manter a casa sempre limpa e bem arejada;
  • Utilizar edredons ao invés de cobertores para dormir;
  • Evitar tapetes, carpetes, cortinas e pelúcias, principalmente dentro do quarto;
  • Trocar roupas de cama frequentemente, pelo menos uma vez por semana.

Tratamento da Rinite ou Sinusite

Quando falamos em tratamento, é importante esclarecer que podemos considerar o termo “cura” na maior parte dos casos de rinite. Para esta condição, precisamos pensar em controle, embora ela possa melhorar com o tempo.

Em relação à sinusite, existe sim a possibilidade de cura, na grande maioria dos casos. Mesmo a sinusite crônica, com os cuidados adequados e o tratamento correto, não é necessário nenhum tipo de intervenção cirúrgica para solucionar este quadro.

Evite a Automedicação!

Não utilize nenhum medicamento, antes consultar o especialista! É comum que os pacientes comprem os fármacos vasoconstritores nasais, por conta própria, para tratar a rinite. Não faça isso! Estes medicamentos podem causar dependência, piorar ainda mais a obstrução nasal, reduzir a capacidade de olfato e até mesmo levar ao desenvolvimento de problemas cardiológicos.

Procure o seu médico otorrinolaringologista de confiança, pois ele é o profissional mais indicado para tirar as suas dúvidas e prescrever o tratamento adequado para o seu caso!   

Dra. Heloisa dos Santos S. Nunes

CRM 150199