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Ronco Primário – Definição, Importância e Fatores de Risco

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Ronco Primário
Ronco Primário – Definição, Importância e Fatores de Risco
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Veja a seguir a primeira parte do capítulo de um livro, que escrevi juntamente com o Dr. José Antonio Pinto sobre o ronco primário, sua definição, importância e fatores de risco.

Ronco Primário – Introdução

O ronco primário (RP), definido como o ronco sem eventos respiratórios do sono, representa um fenômeno complexo gerado na via aérea superior (VAS) pela interação dos tecidos moles da área colapsável da faringe. O RP não só é causa de constrangimento social, mas também de danos ao sono do cônjuge e de sua própria família.

Como estágio inicial dentro de um conceito evolutivo dos distúrbios respiratórios relacionados ao sono (DRRS), pode estar progressivamente associado a distúrbios cognitivos, riscos cardiovasculares e metabólicos. Seu diagnóstico é fundamental na população roncadora.

A interação difusa da musculatura na vibração das estruturas do palato mole, tonsilas e orofaringe, somada à adesão geralmente baixa ao tratamento clínico, tornam a eficácia do tratamento difícil.

Ronco Primário – Epidemiologia

O RP pode ocorrer em qualquer faixa etária. Porém é mais prevalente durante a meia-idade, especialmente no homem acima do peso ideal. O Wisconsin Sleep Cohort Study concluiu que o RP está presente em cerca de 24% das mulheres adultas e 40% dos homens adultos.

A prevalência de ronco aparentemente se eleva com a idade. Tem sido descrita influência familiar, geralmente em irmãos com os mesmos hábitos alimentares. Ronco é o sintoma mais comum presente nos DRRS. Todavia, não é, por si só, um preditor deles.

Ronco Primário – Importância

O RP ser considerado uma forma leve de distúrbio respiratório do sono. Roncadores são mais predispostos a hipertensão arterial sistêmica, doenças cardíacas e cerebrovasculares. Porém, seu valor como marcador para apneia do sono, risco cardiovascular, metabólico ou cognitivo ainda não foi estabelecido.

Há comprovadamente aumento da incidência de aterosclerose, noctúria e refluxo faringolaríngeo na população roncadora.

De certa forma, pode-se considerar o processo como um continuum, com a VAS normal evoluindo para RP e, progressivamente, para síndrome da resistência de via aérea superior – SRVAS, hippoventilação obstrutiva, culminando na síndrome da apneia obstrutiva do sono – SAOS.

Ronco Primário – Classificação

A Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (ICSD-2) localiza o RP no grupo 2-parassonias, dentro do subgrupo D- outras parassonias, junto com bruxismo e enurese noturnos, entre outros. Já a SAOS está no grupo 1 – dissonias, subgrupo A – distúrbios intrínsecos do sono, junto com narcolepsia, insônias e síndrome das pernas inquietas, por exemplo.

Alguns termos sinônimos, indevidamente usados, são comuns: ronco simples, ronco habitual, ronco sem apneia, respiração ruidosa durante o sono, ronco rítmico, ronco contínuo.

Ronco Primário – Definição e Fisiopatologia

O RP é caracterizado pelo som respiratório na VAS durante o sono sem apneia ou hipoventilação. Geralmente ocorre durante a inspiração ou expiração de forma contínua, presente a cada ciclo respiratório e não acompanhado de despertares ou evidência de distúrbio do sono. Atinge volume sonoro suficiente para causar distúrbios do sono no companheiro de quarto.

O mecanismo de geração do ronco não é composto somente por fatores anatômicos, mas também por uma complexa inter-relação neuromuscular sob comando central, mecanorreceptores locais e fatores circunstanciais como posição de decúbito, higiene do sono e ingestão de substâncias.

Anatomicamente, o ronco pode decorrer de desproporções esqueléticas faciais, do excesso de tecido mole, do estreitamento e instabilidade na área colapsável da VAS (que se estende do nível do palato duro até o osso hioide). Em consequência, há aumento da pressão negativa intratorácica a fim de assegurar o volume do fluxo aéreo.

O estreitamento das vias aéreas leva ao efeito de vácuo de acordo com o princípio de Bernoulli. O fluxo de ar passa a ser turbulento gerando vibração, trauma local e edema.

O som é produzido pela vibração dos tecidos laríngeos (base de língua, palato mole, úvula, parede faríngea posterior e lateral) ou laríngeos (por ptose da epiglote) na inspiração devido a um fluxo de ar turbulento através de uma VAS estreita e relaxada.

Ronco Primário – Fatores de Risco

Obesidade ou ganho de peso; consumo de álcool antes de dormir; tabagismo; fármacos depressores do sistema nervoso central, como ansiolíticos, miorrelaxantes, hipnóticos; hipotireoidismo e outras condições médicas; alterações anatômicas da VAS como hipertrofia tonsilar, discrepâncias maxilomandibulares, obstrução nasal; refluxo laringofaríngeo; menopausa sem reposição hormonal e decúbito supino.

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Dr. Arturo Frick Carpes
Otorrinolaringologista desde 2002 Entre outras complementações à formação, realizou Fellowship na Universidade de Stanford, na faculdade de Odontologia de Birmingham nos Estados Unidos. Clínica Ivo Pitanguy, Santa Casa e Hospital de Emergências Souza Aguiar no Rio de Janeiro.

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