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Tratamento da Apneia do Sono

Atuação do Otorrinolaringologista no Tratamento da Apneia do Sono

 

Como em toda enfermidade complexa e de múltiplas variáveis, a Síndrome da Apneia-Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) tem ainda aspectos não explicados em sua fisiopatologia, porém, o Otorrinolaringologista tem hoje uma melhor compreensão sobre como avaliar um paciente com esta patologia, tendo em conta que 80% deles apresentam múltiplos pontos de colapso das VAS que devem ser tratados. Com a leitura deste artigo, saiba mais sobre a atuação do médico otorrino no tratamento da apneia do sono.

A Otorrinolaringologia no Tratamento da Apneia do Sono

Inicialmente, como o ultimo da linha, o Otorrinolaringologista era indicado para realizar traqueostomias naqueles pacientes com apneia grave sem outras alternativas.

Posteriormente, com um melhor conhecimento sobre as enfermidades do sono e com a descrição de Guilleminault de que a Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) não era um privilegio dos obesos, procedimentos cirúrgicos específicos com objetivo de reconstrução das vias aéreas superiores popularizaram-se nos anos 80 e 90, como a uvulopalatofaringoplastia, cirurgias nasais, de língua e sobre o esqueleto facial.

Uma avaliação precisa constitui a peça fundamental no bom resultado do procedimento. E vemos atualmente que estas estatísticas melhoram a cada dia, podendo-se falar em melhora considerável da apneia por meio de cirurgias nasais, faríngeas, de base de língua e de avançamento maxilo-mandibular.

Apesar da grande evolução no diagnóstico e tratamento da SAHOS, ainda ouvimos afirmações, inclusive de otorrinolaringologistas, de que a apneia não tem cura. Isto se deve também a uma visão limitada do profissional não habilitado a intervenções sobre a base da língua e o esqueleto facial.

Por outro lado, não devemos nos colocar somente como cirurgiões. Ao ORL compete, além dos tratamentos cirúrgicos, saber orientar antes de mais nada sobre as opções não cirúrgicas aos seus pacientes, sejam terapias comportamentais, de adaptação de CPAPs ou aparelhos intra-orais.

A Medicina do Sono é hoje uma realidade dentro da Otorrinolaringologia e deve fazer parte de nosso trabalho clínico e cirúrgico. Nossos programas de residência médica e de educação médica continuada devem reforçar seus interesses e tópicos sobre Medicina do Sono.

Tratamento da Apneia do Sono – Otimizando a Atuação da Otorrinolaringologia

Seguindo as próprias premissas da Academia Americana de Otorrinolaringologia, a ABORL-CCF está incrementando esforços no sentido de mostrar a importância do Otorrinolaringologista no tratamento do mais importante distúrbio do sono, a apneia obstrutiva, enfatizando:

1 – um melhor currículo sobre Medicina do Sono em nossos programas de residência, com um maior número de tópicos sobre o tema em nossos cursos de educação continuada e congressos;

2 – divulgação das evidências dos benefícios dos tratamentos otorrinolaringológicos para a apneia obstrutiva do sono;

3 – definição da apneia obstrutiva do sono como um distúrbio da via aérea superior (VAS), área de domínio da ORL, sendo o Otorrinolaringologista o único especialista habilitado a examinar a VAS e treinado para realizar mudanças anatômicas nesta região;

4 – promoção perante a mídia, com informações sobre o importante papel do ORL no tratamento da apneia obstrutiva do sono, pois vemos divulgações frequentes nas áreas de comunicação de especialistas do sono nas quais os ORL são indevidamente excluídos.

Diante de uma realidade em que se procurava distanciar o ORL desta área de distúrbios respiratórios sono-dependentes, acreditamos que, com estas ações, podemos conscientizar a nossa Sociedade e chamar a atenção de todos os profissionais que trabalham na Medicina do Sono para o relevante papel do Otorrinolaringologista na avaliação e tratamento desta complexa síndrome.

Artigo Publicado em: 24 de julho de 2017 e Atualizado em 13 de fevereiro de 2019

Otite Média em Viagem de Avião

Otite Média em Viagem de Avião – Aprofundando a Compreensão

O estudo das Leis dos Gases é de maior importância para a compreensão da fisiologia e fisiopatologia nas condições ambientais alteradas no meio aeroespacial. O conhecimento destas Leis Físicas permite a perfeita compreensão da otite média em viagem de avião, assim como dos fatos relacionados aos disbarismos, hipóxia, doença de  descompressão, e de toda a gama dos fenômenos fisiológicos encontrados nessas condições ambientais modificadas, totalmente diferentes daquelas ocorridas na superfície terrestre.

Otite Média em Viagem de Avião

A Lei de Boyle-Mariotte

A Lei de Boyle-Mariotte enuncia :” À temperatura constante, os volumes ocupados por uma mesma massa gasosa são inversamente proporcionais às pressões que suportam “. Tal lei explica os efeitos da altitude sobre os órgãos cavitários do organismo (estômago , intestinos, ouvidos, seios da face).

Tripulantes e passageiros frequentemente desenvolvem problemas relacionados a equalização de pressão do ouvido médio durante as viagens aéreas. Alguns estudos mostram que 20 a 50% dos passageiros apresentam queixas auditivas durante o voo ou após o desembarque.

Resultados do Estudo

Em nosso estudo, foi observado uma incidência de 9,65% de otite media não secretora em tripulantes de aeronaves comerciais. Os sintomas ocorrem porque a tuba auditiva não consegue igualar a pressão da orelha média. Durante as fases de subida e descida de uma aeronave comercial, as alterações de pressão de cabine são de até 200mmHg (267mbar).

A pressão da cabine diminui durante a decolagem, gerando aumento de pressão na orelha média. A abertura passiva da tuba auditiva é capaz de equalizar a pressão entre a nasofaringe e a caixa timpânica . Entretanto, a razão de pressão inversa durante a descida pode causar problemas, uma vez que o aumento na pressão da cabine cria relativa diminuição da pressão no ouvido médio.

A equalização da pressão neste caso deve ser feita ativamente através da deglutição e bocejo. Se por qualquer razão a equalização de pressão não for realizada, pode-se desenvolver o barotrauma. A saúde e o conforto dos indivíduos a bordo de aeronaves são afetados pelo ambiente criado nas cabines.

A principal diferença entre o ar em uma aeronave e em terra é que o ar da aeronave é extremamente seco. A umidade relativa ótima para conforto é de cerca de 40 a 70%. A Sociedade Americana de equipamentos de Aquecimento, Refrigeração e ar Condicionado propõe umidade relativa mínima de 20% em ambientes fechados. Em altitudes de cruzeiro a umidade da cabine depende da carga de passageiros e está normalmente em 5 a 20%, mas pode ser tão baixa quanto 2%.

Considerações da Literatura Científica

Alguns trabalhos sugerem que a diminuição da umidade relativa do ar interfere também na flexibilidade da membrana timpânica levando a diminuição do efeito de tamponamento da mesma em alterações de pressão. Sendo um fator a mais a ser considerado nessa população em que pode agravar o quadro de otite media.

Segundo a Resolução nº 211, de 7 de dezembro de 2011, publicada no Diário Oficial da União de 9 de dezembro de 2011 dos requisitos para concessão de certificados médicos aeronáuticos, para o credenciamento de médicos e
clínicas e para o convênio com entidades públicas da Agencia Nacional de Aviação Civil (ANAC) :

a) O candidato não pode apresentar anomalias nem enfermidades de ouvido ou de suas estruturas e cavidades conexas que, a critério do examinador ou da ANAC, provavelmente afetem a segurança de voo.

b) O candidato não pode ser portador de patologia das membranas timpânicas que, a critério do examinador ou da ANAC, possam afetar a segurança de voo. Uma perfuração simples e seca da membrana timpânica não implica julgamento de não aptidão, desde que o candidato cumpra com os requisitos auditivos da seção 67.101 deste Regulamento.

c) O candidato não pode ser portador de obstrução permanente das trompas de Eustáquio.

d) O candidato não pode ser portador de transtornos permanentes dos aparelhos vestibulares. O candidato ou tripulante que possuir um transtorno passageiro deve ser considerado não apto até a condição ser restabelecida.

O Papel do Otorrinolaringologista

A partir destas afirmações é essencial o otorrinolaringologista entender a importância do tempo de afastamento até a resolução completa da otite media não supurativa para que o tripulante seja considerado apto ao trabalho.

Podemos observar que o tempo de afastamento em média de um comandante é de 8,6 dias, de um copiloto é de 7,2 dias e comissário 8,2 dias. Lembrando ainda que para o tripulante ser liberado para o voo, não deve fazer uso de
medicações como anti-histamínicos de primeira geração por afetarem a cognição, devem afastar o tripulante por 12 a 24 horas, porem segundo alguns estudos o uso da fexofenadina não apresenta qualquer contra indicação.

Existem ainda outras medicações contraindicadas como corticoesteroides sistêmicos, descongestionantes nasais tópicos pelo efeito adrenérgico, antibióticos e bactericidas, anti-inflamatórios não hormonais por diminuição
dos reflexos e sonolência, deve levar ao afastamento por 12 a 18 horas. O uso dessas medicações influencia no tempo de afastamento dos pacientes bem como a duração do tratamento.

A imitanciometria é uma importante ferramenta tanto para o diagnóstico de otite média não efusiva quanto para o follow-up desses pacientes. Em nosso estudo foi utilizada a imitanciometria no inicio e final do tratamento. Ao final do tratamento a curva A é a evidencia de que o tripulante pode exercer a função.

A timpanometria é um procedimento para determinar o status da orelha média e pode ser útil na avaliação da função da tuba auditiva. A maioria dos aviadores normais e pacientes com otite média em remissão mostram um tipo A, enquanto o tipo B e timpanogramas tipo C são característicos de otite média aguda.

Recomendações Finais

É de extrema importância para o médico otorrinolaringologista entender as leis físicas dos gases na orelha média em grandes altitudes para o adequado tratamento de patologias relacionadas a alteração de pressão.

De acordo com a Agencia Nacional de Aviação Civil, tripulantes técnicos e comerciais não estão aptos ao voo durante o tratamento da otite media, tanto pelo risco de complicações, quanto pela segurança da aeronave. É fundamental que esses pacientes sejam liberados para o trabalho apenas após o fim do tratamento com a imitanciometria devidamente documentada.

Otite e Viagem de Avião

Otite e Viagem de Avião – Estudo com Tripulantes de Voo

Veja neste artigo trechos do estudo realizado pelo Dr. José Antônio Pinto, Dra. Heloisa dos Santos e equipe do Núcleo de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço de São Paulo com tripulantes de voo, com o objetivo de esclarecer o tema de “otite e viagem de avião”.

Otite e Viagem de Avião

Os efeitos adversos das variações da pressão ambiente têm sido observados há longa data. Em 1660, Boyle publicou um trabalho em que relata a formação de bolhas em animais relacionados a descompressão. As variações da pressão ambiente, que ocorrem na atividade aérea espacial tem grande importância, tanto pelas alterações fisiológicas que provocam, como pelo grande número de patologias que acarretam.

A função adequada do nariz, ouvido e garganta são indispensáveis para a tripulação de voo. Alterações na pressão durante o voo exigem tuba auditiva, óstios, cavidades e labirinto saudáveis.

Disfunções na anatomia otorrinolaringológica pode levar o tripulante a inaptidão para o trabalho. Tripulantes Técnicos (Comandantes e copilotos) e Tripulantes comerciais (comissários de voo) não devem voar com otite media aguda por várias razões.

Otite e Viagem de Avião – Porque Evitar

Primeiro, esses pacientes sempre possuem um certo grau de desconforto que pode diminuir o desempenho e consequentemente a segurança do voo. Segundo, secreções na orelha média e obstrução da tuba auditiva não
permitem o equilíbrio barométrico adequado em alterações de altitudes.

Terceiro, anti-histamínicos podem causar sonolência. Por estas razões aeronautas são inaptos a voar nessas condições até a remissão completa dos sintomas.

A aeronave voa a uma altitude de aproximadamente 9 a 11 mil metros, com uma pressurização que é equivalente a pressão atmosférica de um local com cerca de 2.500 metros de altitude(portanto o ambiente interno da aeronave não se encontra ao nível do mar como se pensa comumente).

No interior da cabine, além da pressão, o oxigênio está reduzido a 71% quando comparado ao nível do mar. Há dissociação da curva de oxyhemoglobina, sendo que a saturação cai a 90% determinando um ambiente de hipóxia relativa. Essas condições somadas à baixa umidade relativa do ar, facilitam a desidratação e o ressecamento das secreções respiratórias.

Na decolagem, com a diminuição da pressão atmosférica, a pressão no interior do ouvido médio tende a aumentar, assim como o volume dos gases nele contido e há um escape de ar passivo via trompa de Eustáquio desde que
não haja processo obstrutivo no tórus tubário (processo inflamatório, tonsilas faríngeas, tumores), que possam alterar este processo passivo da tuba.

Na aterrisagem, à medida em que a pressão atmosférica vai aumentando, a pressão no interior do ouvido médio, que se igualou à baixa pressão da altitude, encontra-se menor que a pressão atmosférica ambiente.

Processos inflamatórios em vias aéreas superiores (atopias, refluxo, infecção viral ou bacteriana) podem determinar que secreções entrem na cavidade da orelha média agravando ou determinando afecções na orelha média.

Disfunção tubária durante o pouso e decolagem podem causar retração da membrana timpânica, engurgitamento venoso e acúmulo de secreção ou fluido hemorrágico na orelha média.

Se o diferencial de pressões do ouvido médio e a atmosfera ambiente chegar a aproximadamente 100 mmHg, a membrana timpânica pode se romper levando a otalgia, plenitude aural, hipoacusia e tinnitus. Tripulantes com barotite devem ser restringidos ao voo durante o tratamento até a normalização da tuba auditiva.

Exigências Otorrinolaringológicas para o Voo

De acordo com o documento de Inspeção de Saúde e Certificado de capacidade Física da Agencia Reguladora- ANAC (Agencia Nacional da Aviação Civil) – RBAC 67 existem algumas exigências otorrinolaringológicas para o voo:

1) O solicitante não deve ser portador de processo patológico ativo, agudo ou crônico, nem no ouvido interno nem no ouvido médio;
2) O solicitante não deve ser portador de patologia das membranas timpânicas que seja incompatível com o exercício da atividade aérea. Uma perfuração simples e seca da membrana timpânica não implica necessariamente, que haja de considerar-se como incapaz;
3) O solicitante não deve ser portador de obstrução permanente das trompas de Eustáquio;
4) O solicitante não deve ser portador de desordens permanentes dos aparelhos vestibulares, sendo que condições passageiras podem ser consideradas como de incapacidade temporária;
5) Ambos os condutos nasais devem permitir a livre passagem do ar. Não existir nenhuma deformidade grave, nem afecção aguda ou crônica da cavidade bucal, nem das vias aéreas superiores. Não existir patologia aguda ou crônica grave das cavidades paranasais;
6) O solicitante não deve ser portador de deficiência de percepção auditiva que comprometa o bom desempenho de suas funções quando no exercício das atribuições que sua licença lhe concede.

Caso o tripulante não preencha tais requisitos, deve ser afastado da função até a resolução da doença e não pode ser liberado nem mesmo durante o tratamento.

lavagem nasal

Como fazer a lavagem nasal?

Uma pergunta frequente do paciente no consultório é como fazer a lavagem nasal e para que serve este procedimento. Assim, elaboramos este artigo, para explicar a você alguns detalhes importantes sobre este assunto. Acompanhe.

Como fazer a lavagem nasal

A Importância da Lavagem Nasal

Dentro do nariz temos os cílios que servem para circular e mover o muco nasal naturalmente. Quando utilizamos o soro fisiológico no nariz auxiliamos o batimento desses cílios e o muco se torna mais fluido. Desta forma o excesso de muco é retirado e há uma melhor circulação dentro do nariz, evitando assim acúmulo de impurezas que podem causar problemas como sinusite e resfriados.

A Escolha do Soro Fisiológico

A lavagem nasal deve ser feita com soro fisiológico a 0,9%. Nas farmácias existem vários tipos de sprays nasais prontos para realizar a lavagem nasal. Estudos recentes têm demonstrado que para uma lavagem nasal mais efetiva é necessário alta pressão e grande quantidade de soro fisiológico, portanto, o spray do tipo jato continuo é o mais efetivo para essa função.

Passo a Passo de Como Fazer a Lavagem Nasal

Deve-se colocar o spray no interior do nariz e aperta-lo durante 5 segundos nas duas narinas. O soro irá escorrer pela garganta e voltar pelo nariz. Não tem problema, só basta assoar o nariz devagar e cuspir o excesso.

Recentemente alguns vídeos na internet tem circulado com crianças fazendo a lavagem nasal com auxilio de uma seringa. Pode ser feito também, mas deve-se lembrar que crianças muito pequenas, antes dos 3 anos de idade podem se engasgar, ou ter problemas de otite quando o procedimento é realizado dessa forma.

Então para os pequenos o ideal é o spray nasal vendido em farmácias.  Para os adultos, no entanto, pode se fazer a lavagem com seringa de 60 ml.

Cuidados que Devem Ser Tomados

Lembrar sempre que o soro fisiológico perde as suas propriedades e pH apos aberto, então o ideal é comprar frascos menores e armazená-los em geladeira.

O habito de lavagem nasal com água e sal não é recomendado, pois pode irritar ainda mais a mucosa nasal dependendo da quantidade de sal que é colocada na água.

Ronco Primário

Ronco Primário – Apresentação Clinica e Diagnóstico

Veja a seguir a segunda parte do capítulo de um livro, que escrevi juntamente com o Dr. José Antonio Pinto, agora abordando a apresentação clínica e a avaliação diagnóstica do ronco primário, assim como os critérios de severidade e de duração. Se você não leu a primeira parte do artigo, clique aqui.

Ronco Primário – Apresentação Clinica

A queixa inicial geralmente é do parceiro de quarto perturbado pelo ruído alto ocasionado pelo ronco. A intensidade do ronco pode variar e, muitas vezes, até mesmo causar o despertar do próprio paciente. O paciente pode referir boca seca, que potencialmente leva a despertares com desejo de tomar água.

Não há queixa de sonolência excessiva diurna (SED), cansaço, sonolência diurna excessiva ou fragmentação do sono, como ocorre na SRVAS ou na SAOS. Dessa forma, o paciente roncador pode ser assintomático e não estar ciente do seu problema.

Ronco Primário – Avaliação Diagnóstica

O diagnóstico de RP deve considerar, antes de tudo, a anamnese detalhada, observando os fatores de risco. Questionários do sono como a Escala de Sonolência de Epworth (ESE) agregam informação, mas quando sintomas de SED ou apneias presenciadas são concomitantes ao RP, o exame polissonográfico é mandatório para a avaliação objetiva.

A maioria apresenta pontuação inferior a 10 ESE. Somente 13% dos pacientes com RP apresentam pontuação maior ou igual.

A polissonografia deve considerar o esforço respiratório relacionado à despertares (RERA). Quando o índice de distúrbio respiratório do sono (IRD) é menor do que 5 eventos/hora, sem alterações nos gases arteriais e índice de despertares (ID) normal para idade, o paciente pode ser classificado como portador de RP ou SRVAS.

A presença do ronco, na ausência de queixa ou dos sinais de SED, apneias presenciadas, sufocamento noturno ou cefaleia matinal, caracteriza o roncador primário.

Critérios Diagnósticos

Critério mínimo: A +B+E.

A. Queixa de ronco feita por um observador
B. Não há evidência de insônia ou sonolência excessiva diurna causada pelo ronco
C. O paciente queixa-se de boca seca ao acordar

D. A polissonografia demonstra:

1. Ruido inspiratório ou expiratório geralmente ocorrendo por longos períodos durante o sono.
2. Ausência de associação de despertares abruptos, dessaturação de oxigênio arterial ou distúrbios cardíacos.
3. Padrão normal de sono.
4. Padrão respiratório normal durante o sono.

E. Os sintomas não encontram critérios diagnósticos de outros distúrbios do sono (síndrome da apneia do sono central, SAOS, síndrome da hipoventilação alveolar central, laringospasmo relacionado ao sono, etc.).

Critérios de Severidade

Leve: O ronco não acontece todas as noites e somente quando o paciente está em decúbito dorsal.
Moderado: O ronco ocorre todas as noites; ocasionalmente incomoda terceiros; em geral é abolido pela mudança de posição do decúbito.
Severo: O ronco ocorre todas as noites, incomoda terceiros, não é alterado pela mudança de posição do decúbito. O parceiro de quarto eventualmente deixa o aposento devido ao volume do ruído.

Critérios de Duração

Agudo: 3 meses ou menos.
Subagudo: Entre 3 meses e 1 ano.
Crônico: Mais de 1 ano.

Teoria versus Prática

Apesar de a população encarar o ronco como problema somente social, os profissionais da saúde devem alertar para o diagnóstico correto e para o caráter evolutivo do problema com todas suas morbidades, não sendo mais aceitável a busca de resolução do sono sem a compreensão do problema.

Cuidados com a Voz

Conheça os Principais Cuidados com a Voz

Em 1999, alguns médicos se reuniram em São Paulo com uma preocupação: o câncer de laringe, que vitimava 15 mil brasileiros por ano, sendo 8 mil casos fatais. Além disso, as chamadas doenças vocais eram desconhecidas da maioria das pessoas. Seria necessário difundir mais conhecimentos sobre os cuidados com a voz, para evitar problemas como estes.

Diante desse quadro, os médicos da atual ABLV (Academia Brasileira de Laringologia e Voz) lançaram a Campanha Nacional da Voz, um programa de orientação, informação e, principalmente, respeito pela voz, instrumento de trabalho de 70% dos brasileiros.

Desde então, todos os anos, no Dia Mundial da Voz, 16 de abril, os especialistas atendem cerca de 40 mil pessoas em todo o país, orientando e até detectando doenças relacionadas a nosso aparelho vocal.

Cuidados com a Voz

Cuidados com a Voz

O Dr. José Antônio Pinto, ex-presidente da ABVL, chefe do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital e Maternidade São Camilo e especialista dos hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz, fala sobre os problemas que podem afetar a voz humana – e o carinho que devemos ter com ela.

Sintomas como dor de garganta e rouquidão persistente, alteração na qualidade da voz, dificuldade de engolir e sensação de um caroço na garganta merecem investigação médica.

Esse é o começo de uma necessária conscientização da população brasileira sobre a importância da voz, suas alterações e cuidados que ela merece. “Alertando e orientando a sociedade para os cuidados com a voz, estamos prevenindo seus problemas e preservando o mais importante meio de comunicação da espécie humana e o instrumento de trabalho da maioria de nossa população” diz o Dr. José Antônio Pinto.

Câncer de Laringe

O câncer de laringe, ou das cordas vocais, evidentemente é o mais grave distúrbio que pode acometer a voz, mas outras alterações vocais podem afetar nosso desempenho social e profissional. “Toda voz de qualidade ruim altera a qualidade de vida, de um modo ou de outro”.

Ele reforça a recomendação de que toda rouquidão que persista por mais de 15 dias deve ser investigada. Os especialistas têm hoje inúmeros recursos para visualizar diretamente o aparelho vocal, em busca de pólipos, tumores, focos hemorrágicos. Fibras ópticas e telescópios chegam diretamente ao local, pela boca ou pelo nariz, dando ao médico a oportunidade de registrar, em vídeo, tudo o que foi encontrado.

Pode ser, por exemplo, uma lesão precursora do câncer de laringe – uma leucoplasia, uma “nata de leite” sobre a corda vocal. Ou a formação de uma película sobre as cordas vocais que as faz perder a capacidade de vibração. Tudo isso altera a qualidade da voz – e a alteração vocal deve servir como um indício do problema. O Dr. José Antônio Pinto diz que os tumores da laringe podem ser considerados como uma doença social. Entre suas causas principais, estão o abuso de álcool, o refluxo gástrico (que pode ser atribuído a maus hábitos alimentares) e, sobretudo, ao tabagismo: 90% dos portadores de câncer na laringe são fumantes.

Cuidados com a Voz – Formas de Prevenção

Como se vê, o câncer de laringe, se não pode ser inteiramente prevenido, tem causas que podem ser evitadas com bons hábitos de vida. Mas mesmo que isso não ocorra, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quando a lesão está em seus estágios iniciais, a remoção do tumor pode ser feita por meio de cirurgia endoscópica a laser, com um mínimo de trauma. O paciente se interna de manhã e é liberado a tarde. E, o mais importante, como destaca o Dr. José Antônio Pinto: preservando a voz.

Mesmo quando o tumor já está mais avançado, a manutenção das cordas vocais e, consequentemente, da voz, pode ser alcançada – mas aí com um prognóstico mais reservado. Resumindo: pessoas com rouquidão persistente ou algum dos sintomas descritos acima não devem temer o diagnóstico e o tratamento, que no passado era mutilante. Pelo contrário: o diagnóstico precoce significa manter a voz. Nas campanhas da voz, 25% dos pacientes examinados, em média, costuma apresentar alterações objetivas no exame da laringe, variando de lesões benignas a lesões malignas iniciais.

Calos e Abuso Vocal

Evidentemente, nem toda lesão de cordas vocais é câncer. Os chamados calos vocais são lesões produzidas por abuso vocal.

Como explica o Dr. José Antônio Pinto, o uso da voz num tom muito acima do normal é a principal causa dos calos. Isso afeta, geralmente, pessoas que usam a voz profissionalmente, muitas horas por dia – como professores, leiloeiros, locutores. Ou mesmo pessoas que simplesmente falam acima do tom – gritando ou se alterando com frequência.

“A voz é um instrumento humano maravilhoso, mas é preciso saber usar”. Nessas situações, uma reeducação foniátrica – a cargo de um fonoaudiólogo – pode ser indicada para não gerar lesões mais complexas.

Pigarros insistentes, às vezes até por tique nervoso ou maneirismo, também podem produzir lesões nas cordas vocais. Eles provocam os chamados “golpes de glote” – um choque brusco nas cordas vocais que, em certas situações, pode ser causado também por refluxo gástrico. Em vez de pigarro, o médico recomenda: “Tome um copo d’água, respire fundo”. Aliás, tomar bastante líquido é uma recomendação genérica que também é feita pelos laringologistas.

Outros Inimigos da Laringe

Ar-condicionado, que resseca vias aéreas, e bebidas excessivamente geladas, que produzem choque térmico podem ser prejudiciais. É claro que há pessoas mais sensíveis a esses dois fatores – em outras, elas não têm nenhuma repercussão vocal. É uma questão de conhecer seu próprio organismo.

E as “pastilhas de garganta”? Segundo o Dr. José Antônio, em geral esses produtos não alcançam a laringe e as cordas vocais, embora possam até amenizar uma “dor de garganta”. Nesse particular, inaladores de vapor teriam melhor efeito anti ressecamento.

E as bebidas alcoólicas? Uma boa dose de conhaque não seria um “santo remédio” para “limpar a garganta”? Claro que não, diz o Dr. José Antônio. “O álcool pode relaxar a garganta no momento que entra na boca. Depois, porém, produz um edema na corda vocal”. Não é à toa que o fumo e o álcool, nessa ordem, sejam os principais inimigos da voz.

O que é Laringoscopia?

O que é Laringoscopia? Conheça Melhor o Exame

A laringoscopia trata-se de um exame relativamente simples que permite que o médico observe as vias aéreas superiores (nariz, laringe e faringe) do paciente através de um aparelho endoscópico, denominado laringoscópio.

O procedimento é utilizado principalmente no diagnóstico de problemas da laringe (via aérea responsável pela produção do som), função que deu origem ao termo. O exame também permite o controle da evolução de algumas cirurgias e patologias.

Além dessas utilidades, a laringoscopia pode ser útil na realização de intervenções de cunho terapêutico, tais como: retirada de pólipos, nódulos e corpos estranhos, cauterização de lesões vasculares e dilatação de estreitamentos.

O que é Laringoscopia?

O que é Laringoscopia 

Existem dois tipos de aparelhos diferentes para a realização da laringoscopia: um deles é um aparelho rígido, geralmente introduzido pela boca do paciente. O outro é de um aparelho flexível que consiste em um fino tubo de fibras óticas, introduzido pelo nariz (nasolaringoscopia).

A semelhança entre o laringoscópio rígido e flexível é que ambos possuem em sua extremidade uma minicâmera que detecta imagens do interior das vias aéreas superiores do paciente e permite que o profissional as visualize, seja por via direta ou através de um monitor de vídeo.

Quando a visualização se dá por vídeo, o exame recebe a denominação de videolaringoscopia ou videonasolaringoscopia.

O que é Laringoscopia – Como Funciona o Procedimento

A laringoscopia não exige preparamento prévio – exceto jejum absoluto de oito horas antecedentes ao exame – e não impede o paciente de retornar às suas atividades cotidianas após o exame.

O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial e tem duração média de 5 a 10 minutos. O paciente permanece sentado durante todo o procedimento, apenas com a língua para fora da boca, se for o caso.

As regiões da faringe e da laringe são previamente anestesiadas (geralmente com spray anestésico)  e então o laringoscópio é introduzido via oral ou nasal, e direcionado à região que será examinada.

A introdução do aparelho não costuma causar grandes incômodos aos pacientes. Porém, em alguns casos, o procedimento pode provocar reações apesar da anestesia, tais como: espirros, tosses, náuseas, vômitos, rouquidão passageira, inflamação e inchaço da garganta.

O exame não se restringe a nenhuma idade, mas a laringoscopia via oral exige certa colaboração do paciente, que só é possível de ser obtida a partir dos 12 ou 13 anos de idade.

Dependendo da resistência do paciente, o médico pode optar em realizar o exame de laringoscopia com o paciente sedado, principalmente nos casos de crianças.

O que é Laringoscopia – Indicações

A laringoscopia é uma ferramenta útil no diagnóstico de lesões orgânicas ou funcionais localizadas na cavidade oral,  oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e cordas vocais. O exame é solicitado nos casos de pacientes que apresentam:

  • Rouquidão ou disfonia prolongadas;
  • Tosse crônica ou acompanhada de sangue;
  • Dificuldade/dor para engolir ou mastigar;
  • Surgimento de aftas com frequência;
  • Refluxo gastroesofágico;
  • Dor de garganta crônica;
  • Suspeita de câncer;
  • Tabagismo crônico;
  • Sensação de possuir um caroço na garganta;
  • Histórico familiar de câncer de cabeça ou pescoço.

O que é Laringoscopia – Contraindicações

O exame de laringoscopia quase não possui contraindicações. Cabe ao especialista avaliar as especificidades de cada paciente e restringir o procedimento, quando julgar necessário.

Os pacientes portadores de distúrbios neurológicos, cardiopatias graves, doenças pulmonares crônicas ou alergias aos medicamentos utilizados no exame merecem uma atenção especial em relação ao aconselhamento da laringoscopia.

O que é Laringoscopia – Cuidados Posteriores

Quando se trata do exame simples de laringoscopia, sem sedativo, o paciente pode ser liberado logo após do exame, sem restrição para retornar às suas atividades cotidianas. A única recomendação é que o mesmo permaneça em repouso durante as horas seguintes ao procedimento, mantendo uma alimentação leve.

Já nos casos em que o paciente recebeu o sedativo, este deve aguardar cerca de 30 minutos até o fim do efeito da medicação e contar com um acompanhante para abandonar o ambulatório. Nas 12 horas posteriores ao procedimento, o paciente não deve dirigir ou realizar tarefas complexas e permanecer em repouso absoluto, evitando tossir, respirar e assoar o nariz.

O mais importante é ouvir atentamente as orientações do médico após a realização da laringoscopia, e seguir os cuidados posteriores recomendados.

Nódulos nas Cordas Vocais

Nódulos nas Cordas Vocais – Devo me Preocupar?

Os nódulos nas cordas vocais, conhecidos popularmente como calos nas cordas vocais, tratam-se de lesões de massa benignas, bilaterais, rígidas e simétricas que afetam as pregas vocais.

O surgimento desses nódulos deve-se ao atrito brusco, provocado pelo contato frequente e intenso entre as cordas vocais no processo de produção do som. A causa mais comum desse atrito brusco é o comportamento vocal inadequado, em especial o abuso vocal.

Os nódulos não tratam-se de tumores, pois apresentam novas formações celulares em sua composição: são formados por um tecido edematoso e/ou fibras colágenas.

Nódulos nas Cordas Vocais

Nódulos nas Cordas Vocais – Fatores de Risco

O comportamento vocal influencia diretamente no surgimento de nódulos nas cordas vocais: o problema incide principalmente sobre mulheres na faixa etária de 25 a 35 anos, e também sobre crianças, de ambos os gêneros, entre os 7 e 9 anos.

Os principais alvos da condição são pessoas que fazem uso constante da voz no trabalho, os “profissionais da voz”, grupo que engloba professores, telefonistas, secretários, apresentadores, cantores, atores, advogados, leiloeiros, médicos, entre outros.

Pesquisas apontam que, dentre os pacientes adultos que apresentam nódulos nas cordas vocais, mais de 90% são do gênero feminino, mais de 60% são professores, 95% são não-fumantes e mais de 80% trabalham durante dois ou três turnos.

Determinados comportamentos que caracterizam o uso inadequado da voz, a longo prazo, comumente resultam no surgimento de nódulos nas cordas vocais.

Os hábitos mais comuns de mau uso da voz são: falar muito alto, muito rápido ou durante muito tempo, gritar constantemente, produzir voz em um tom muito grave, falar em ambientes barulhentos, falar e realizar movimentos físicos intensos simultaneamente, emitir sons com muita força e falar com a ressonância baixa, forçando a garganta.

Alergias respiratórias, distúrbios hormonais, tabagismo e etilismo são outros fatores que também Têm relação com o aparecimento de nódulos vocais.

Sintomas de Nódulo nas Cordas Vocais

Os nódulos nas cordas vocais provocam alterações no padrão de produção do som. As mudanças mais perceptíveis auditivamente são a rouquidão, a soprosidade e as modificações no tom de voz (tom mais grave ou mais agudo).

Outras queixas comuns de pacientes com nódulos vocais são de cansaço durante a fala, dor na laringe ou no pescoço, presença de muito pigarro e dificuldade de falar por muito tempo, dificuldade de produzir notas agudas e dificuldade na coordenação da respiração e produção da voz.

Nas crianças, os sintomas dos nódulos vocais são semelhantes aos dos adultos: somente a dificuldade em coordenar a respiração e a produção da voz fica mais evidente. Em alguns casos, elas podem perder a voz durante alguns períodos de tempo.

Diagnóstico  e Tratamento de Nódulo nas Cordas Vocais

O diagnóstico de nódulo nas cordas vocais varia de acordo com as especificidades de cada paciente, tais como: história clínica, sintomas, causas e comportamento vocal. É preciso analisar se há uso excessivo ou inadequado da voz na rotina do paciente, qual sua demanda vocal e  detectar características que possam contribuir no tratamento e na mudança de hábitos voltados à voz.

Se você notou a presença de alterações na sua voz ou rouquidão persistente (por mais de 10 dias) que não estejam relacionadas a outras condições clínicas, como um resfriado, não exite em procurar o otorrinolaringologista de sua confiança.

O especialista poderá detectar a causa dessas alterações e indicar a intervenção fonoaudióloga adequada, assim como a mudança de hábitos que o paciente terá que passar durante as sessões de tratamento, e ainda se há ou não necessidade de intervenção cirúrgica.

O acompanhamento médico é igualmente fundamental no caso das crianças. Quando antes o problema for diagnosticado, mais amplas são as possibilidades de tratamento.

Prevenção dos Nódulos nas Cordas Vocais

A melhor forma de prevenir dos nódulos vocais é cuidar bem da voz, afinal, trata-se de uma condição decorrente de hábitos nocivos, uso inadequado e abuso da voz. Alguns cuidados são necessários, especialmente no caso de pessoas que fazem uso contínuo da voz no trabalho e no dia a dia.

Rouquidão

Rouquidão – Quando Procurar Ajuda Médica

A rouquidão trata-se da mudança que ocorre no tom ou na qualidade da voz; um tom de voz mais “áspero”, pode-se dizer. Existem dois tipos de rouquidão: a aguda (de curta duração) e a crônica (de longa duração).

Rouquidão

Rouquidão – Saiba Mais

A rouquidão aparece comumente após festas com som alto, principalmente em junção ao uso de cigarro e álcool, ou em profissões que exigem muita comunicação. Esses casos são episódios de rouquidão aguda, geralmente ocasionados pelo cansaço vocal. A voz retorna ao normal dentro de alguns dias, com o descanso e os cuidados necessários.

Entretanto, mesmo esses episódios de rouquidão devem ser encarados como anormalidades do corpo, e não como uma simples casualidade passageira. Existem algumas condições médicas graves que desencadeiam a rouquidão constante, podendo vir acompanhadas inclusive de sintomas como tosse, dor, pigarro, sangue, dificuldade para respirar ou engolir, entre outros.

Causas da Rouquidão

A rouquidão representa um mau funcionamento da laringe que, através da vibração das cordas vocais, emite o som. O uso indevido da voz (como nos exemplos citados acima) pode gerar inflamação nas cordas vocais e, consequentemente, a rouquidão.

Porém, quando a condição é recorrente ou acompanhada de outros sintomas, pode ser um sinal de alerta de doenças mais graves, tais como:

  • Doença das Vias Aéreas Superiores

As vias aéreas nasais são estruturas constituídas pelas cavidades nasais, faringe e laringe. Toda e qualquer condição que acometa essa região – geralmente gripes, resfriados, alergias e inflamações virais/bacterianas – e cause algum tipo de irritação e/ou dor na garganta, pode ocasionar a rouquidão.

  • Refluxo Faringo-Laríngeo (RFL)

O refluxo é um ácido do estômago que geralmente que afeta o exôfago. Porém, em casos mais graves e não tratados, a condição pode afetar a faringe e a laringe, provocando irritação e dor na região devido à nocividade da substância à garganta. Esses sintomas vêm acompanhados ainda de tosse seca, pigarro e rouquidão.

  • Papilomatose laríngea

A papiloma de laringe é uma enfermidade causada pela infecção por HPV, que acarreta tumores benignos na região da laringe.

O sintoma inicial da doença é a rouquidão e a alteração da voz, e em casos mais extremos a papiloma pode até mesmo vir a bloquear as vias respiratórias, de acordo com sua progressão, podendo levar o paciente a dificuldades respiratórias intensas.

  • Câncer de Laringe

São muitos os fatores que podem ocasionar o câncer de laringe, entre eles: falta de cuidado com a garganta, lesões nas cordas vocais, refluxo faringo-laríngeo e papiloma de laringe. O tumor pode se encontrar em diferentes regiões, mas, quando localizado nas cordas vocais, a rouquidão é o primeiro sintoma que se manifesta.

  • Outras Causas

Além das citadas acima, existem outras condições podem desencadear a rouquidão, tais como: alergias, inalação de substâncias irritantes, tosse crônica, aneurismas da aorta superior, broncoscopia, dano aos nervos ligados à voz, tireoide pouco ativa, nódulo nas cordas vocais, fraqueza dos músculos em torno da laringe, consumo excessivo de cigarro e/ou álcool e puberdade.

Rouquidão – Quando Procurar Ajuda Médica

Caso a rouquidão seja recorrente ou venha acompanhada de outros sintomas, como dificuldade em respirar ou engolir, muita salivação, ou se o paciente for um bebê com menos de três meses, deve-se procurar ajuda médica. O especialista será capaz de diagnosticar a causa da rouquidão e prescrever o tratamento adequado.

Parkinson e os Músculos da Garganta

Doença de Parkinson e os Músculos da Garganta

A Doença de Parkinson é um distúrbio neurológico e degenerativo do sistema nervoso central, que incide principalmente sobre pessoas com mais de 60 anos. Trata-se de uma doença crônica, portanto, não existe cura. Entretanto, existem tratamentos disponíveis eficazes no controle da doença.

A manifestação dos sintomas do Mal de Parkinson geralmente é lenta, e estes tornam-se mais evidentes à medida que a doença progride. Um dos prejuízos decorrentes da Doença de Parkinson é acometimento dos músculos da garganta.

Parkinson e os Músculos da Garganta

Doença de Parkinson e os Músculos da Garganta

Alguns dos pacientes acometidos com a Doença de Parkinson têm os músculos da laringe e da cavidade oral comprometidos, e queixam-se muito de engasgos e de lentidão ao falar.

As principais alterações vocais provocadas pela Doença de Parkinson são: rouquidão, voz trêmula, soprosidade, redução da intensidade da voz, imprecisão articulatória, gama tonal reduzida e dificuldades na mastigação e na deglutição.

A disfagia é uma das complicações que podem ser ocasionadas pelo Parkinson. Trata-se, basicamente, da dificuldade em fazer a deglutição de alimentos ou líquidos. Esta condição pode comprometer o estado nutricional do paciente, em estágios mais avançados.

Estas alterações da voz podem minimizar a efetividade da comunicação oral dos pacientes parkinsonianos, afetando seu bem-estar social, psicológico e econômico.

Doença de Parkinson e os Músculos da Garganta – Causas das Alterações Vocais

As alterações vocais citadas nos pacientes com Parkinson têm sido atribuídas ao fechamento glótico incompleto, à redução da sinergia e ativação da musculatura laríngea, atrofia ou fadiga muscular, assimetria de tensão ou movimento das pregas vocais, rigidez das pregas vocais ou dos músculos respiratórios.

Em alguns casos, o comprometimento dos músculos da garganta deve-se à disfunção cerebral neurocognitiva, neuroafetiva ou psicomotora.

Doença de Parkinson e os Músculos da Garganta – Diagnóstico e Tratamento

O médico responsável pelo diagnóstico, avaliação e tratamento de alterações vocais é o otorrinolaringologista. Os pacientes parkinsonianos que têm seus músculos da garganta acometidos devem procurar este profissional, para obter uma avaliação clínica e um diagnóstico assertivo acerca da alteração vocal.

Após o diagnóstico médico, o paciente deve dar início ao tratamento prescrito para estimular sua musculatura comprometida, de acordo suas especificidades – região afetada e estágio da doença.

O tratamento tradicional para para as alterações vocais do paciente parkinsoniano possui três abordagens distintas: mioterapia, coordenação das estruturas de fala e respiração. São exercícios realizados de uma a duas vezes por semana, com foco na articulação, velocidade e emissão da voz.

O tratamento para a reabilitação da voz exige muita dedicação e disciplina do paciente. É um processo geralmente lento, mas os resultados surgem ao longo do tempo.

Doença de Parkinson e os Músculos da Garganta – Acompanhamento Médico

O acompanhamento médico regular dos pacientes com alterações vocais provocadas pela Doença de Parkinson é de extrema importância em sua reabilitação. Os exercícios prescritos podem até ser realizados em casa.

O processo de reabilitação vocal é lento, mas traz resultados positivos quando realizado corretamente, elevando a efetividade da comunicação, alimentação e qualidade de vida do paciente parkinsoniano. A orientação é seguir à risca as orientações do otorrinolaringologista.